Mais instituições devem adotar política afirmativa

Opinião é de defensores e de opositores do sistema de cotas raciais; segundo a ONG Educafro, 129 universidades já aderiram

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2012 | 03h08

A votação no STF que decidiu pela constitucionalidade do sistema de cotas deve pressionar instituições de ensino a adotar esse tipo de política afirmativa. É a opinião tanto de defensores como de críticos ao modelo.

"A partir de agora, o povo vai começar a exigir. Tenho certeza de que vai provocar o nascimento das cotas regionais, do movimento nordestino", afirmou o presidente da ONG Educafro, frei David dos Santos. O ativista defendeu que o Brasil passa a ser o País com a maior reflexão da ação afirmativa. "O grande efeito dessa votação vai ser refletir nas grandes universidades que são exageradamente partidárias da meritocracia injusta."

Também ativista do movimento negro, o advogado civilista José Militão concorda que a decisão do STF fará com que mais instituições adotem a medida - que ele critica. "Vai ter aumento, porque a pressão política de muitas universidades resistiram, mas agora tem o STF dizendo que é constitucional", diz ele. "Sou antirracista, defensor da inclusão dos afro-brasileiros. Mas a inclusão não pode ser direito de raça, mas de reserva social. O recorte de renda beneficia os mais pobres, e 70% dos mais pobres são pretos e pardos."

O ponto mais contundente no embate em relação ao tema é que as cotas reforçariam a segregação racial. "O movimento negro racialista diz que até na reserva social haverá diferença. Mas dizer que na competição de pobres com pobres, os negros não vão ter oportunidades, é admitir a inferioridade", diz Militão.

Hoje, ao menos 129 instituições públicas de ensino superior adotam algum sistemas de cotas, segundo a Educafro. A primeira instituição de ensino a adotar o sistema de cotas raciais foi a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em 2002. Até hoje, 2.131 alunos cotistas concluíram a graduação. Atualmente, há 3.466 cotistas na instituição. Dos 7.059 aprovados por meio do sistema de cotas, 1.462 abandonaram ou desistiram - representando evasão inferior ao dos alunos não cotistas.

A instituição reserva 20% das vagas para negros. É o mesmo porcentual adotado na Universidade de Brasília (UnB), cujo sistema foi questionado pelo DEM na ação que chegou ao Supremo. Dos 6.403 cotistas que ingressaram na UnB desde 2004, 1.239 se formaram e outros 3.459 estão estudando.

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