Mais seis trabalhadores de usina nuclear estão contaminados no Japão

Governo repreendeu a TEPCO e requisitou um relatório investigativo no prazo de uma semana

AP,

13 Junho 2011 | 13h30

Mais seis trabalhadores da usina nuclear de Fukushima Daiichi, atingida por um terremoto e um tsunami no Japão, podem ter excedido o limite de exposição à radiação, elevando o total para oito funcionários, disse nesta segunda feira o governo japonês.

 

Os ministérios da Saúde e do Trabalho divulgaram resultados preliminares de testes a respeito da exposição dos trabalhadores à radiação durante o trabalho na usina. Três dos funcionários são operadores da sala de controle e outros cinco atuaram na restauração do fornecimento de energia que foi interrompido pelos acidentes do dia 11 de março.

A Tokyo Electric Power Co (TEPCO), que opera a usina, afirmou que nenhum dos funcionários estava demonstrando problemas imediatos de saúde, mas que eles deveriam ser monitorados a longo prazo, pois poderiam apresentar um aumento no risco de desenvolvimento de câncer. Os oito homens foram transferidos para trabalhos administrativos.

"Achamos a situação lamentável", disse Tadashi Mori, oficial do ministério de saúde, referindo-se à adição de mais seis trabalhadores à lista dos possíveis contaminados por níveis excedentes de radiação. Ele afirmou que o ministério planeja tomar "ações apropriadas" a respeito da violação da TEPCO, quando os resultados forem confirmados.

Logo depois do desastre, o governo aumentou os limites de exposição à radiação para os homens de 100 millisieverts para 250, pois assim os funcionários poderiam atender à emergência ocasionada pelo tsunami.

O ministro da saúde também afirmou, nesta segunda, que ao menos outros 90 funcionários apresentaram níveis superiores a 100 millisieverts, incluindo alguns que estão próximos do limite máximo de exposição.

Na sexta-feira, a Agência de Segurança Nuclear e Industrial (NISA) afirmou que os primeiros dois trabalhadores que alcançaram os limites fixados pelo governo ficaram expostos a mais do que o dobro da quantidade limite de radiação recomendada. O governo repreendeu a TEPCO e requisitou um relatório investigativo em uma semana.

Em separado, o Ministério da Saúde apresentou um aviso escrito sobre as exposições dos dois trabalhadores e é provável que faça o mesmo para os seis trabalhadores adicionais, se os seus casos forem confirmados.

Os dois operadores da sala de controle foram expostos a mais de 600 milisieverts, em sua maioria por inalação de partículas radioativas, disse o porta-voz Hidehiko Nishiyama, da NISA.

Os recém-confirmados seis trabalhadores podem apresentar exposições de cerca de 265 millisieverts a 498 millisieverts, principalmente durante trabalho na fábrica no dia 12 de março, quando uma explosão de hidrogênio danificou o prédio do reator da unidade 1, disse o porta-voz da TEPCO, Junichi Matsumoto, em entrevista coletiva.

``Os trabalhadores receberam instruções de segurança, mas acredito que provavelmente tiraram-nas de suas mentes no momento da crise'', disse Matsumoto.

 

 

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