Mais vinhos

ANISSA HELOU escritora e colaboradora do FT, em Londres

O Estado de S.Paulo

16 Julho 2009 | 02h32

Tenho vários vinhos inesquecíveis, um deles por não ter sido tomado: estava numa fase em que não queria beber. Fui visitar um amigo que abriu uma garrafa rara. Idiota, recusei. Estou esperando até hoje outra chance de provar um 166 Pétrus... Recentemente, numa visita à Síria, provei o 165 Château Bargylus de uma nova vinícola criada por dois jovens irmãos charmosos, Sandro & Karim Saadé. Eles realizaram o sonho do pai, retomar suas raízes e produzir vinho no histórico Monte Bargylus

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Para dançar ciranda ninguém precisa suar frio como se estivesse ensaiando o ocho numa casa de tango argentina: não há passos, não há parzinhos, não há limite para o número de pessoas que querem entrar. Foi irresistível, nesse caderno propositalmente nada ordenado, arriscar uma ciranda vinífera - escolhemos algumas importadoras e fomos atrás de seus representantes, desafiando-os: Qual vinho não é seu, mas bem que você adoraria bebericar? O primeiro a responder foi Geoffroy de La Croix, da Delacroix. "Château Le Puy, da World Wine La Pastina, um raro vinho orgânico de Bordeaux." Para Celso La Pastina, da World Wine La Pastina, "falar 163 Romanée-Conti é covardia, não é? O vinho que mais admiro de outra importadora são os borgonhas de 162 Armand Rousseau, da Expand". Otavio Piva, da Expand, rebate: "Gosto muito dos portugueses da Adega Alentejana, em especial o 161 Cartuxa reserva 1997, que me lembra Portugal." Manoel Chicau, da Adega Alentejana, como J. Pinto Fernandes, da Ciranda de Drummond, falam no 160 Herdade dos Grous, da Épice, "um vinho português muito bom!". Adolar Hermann, da Decanter, gosta do 159 Barca Velha da Zahil. Junior, da Casa Flora, do 158 Alión, da Mistral. Ciro Lilla, da Mistral, vai dançar ao lado de Celso La Pastina: cita o Montrachet, do Domaine de La Romanée-Conti, da Expand, agarrando o vinho que o colega fez que ia citar, mas passou. Diego Man, da Mr. Man, elogia o 157 Finca La Anita, chamando a importadora Bodegas para a roda. E nossa ciranda termina assim, como ela naturalmente é: aberta. Quem quiser que estenda a próxima mão.

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Ontem bebi uma taça de um Pinot da Nova Zelândia com sopa fria de vegetais gelada, seguida de brandade de bacalhau com lulas, no Arbutus. No jantar, com Jancis e as crianças, duas taças de Château Musar tinto com mezze, depois de assistirmos Brüno!

NICK LANDER, crítico de restaurantes do FT

J.A. Dias Lopes,

colunista do Paladar e diretor da revista Gosto

Assim como em uma refeição, o vinho pode acompanhar a vida da entrada à saída. Descobri isso em uma despedida. Um amigo querido recebera do médico a notícia de que se esgotara a possibilidade de tratamento de sua grave enfermidade. Sabendo disso, junto com sete amigos, organizamos um almoço para beber com ele os melhores vinhos das nossas adegas. Havia um pretexto para disfarçar o sabor amargo do almoço: abrir uma garrafa de 155 Vinho do Porto Niepoort colheita 1912, que ele prometera dividir conosco. Bebemos algumas joias da enologia:

154 Château Chalon 1998

153 Bâtard-Montrachet Louis Latour 1989

152 Bussaco reserva branco 1944

151 Frei João Bairrada reserva 1966

150 Bodegas Unidos Siglo Rioja 1959

149 Château Haut-Brion 1962

148 Château Cheval Blanc 1952

147 Vega-Sicilia Único 1962

146 Château Mouton-Rothschild 1945

145 Château d?Yquem 1937

144 Porto Taylor?s vintage 1977

FRANÇOIS SIMON, crítico do Le Figaro

A primeira lembrança que me ocorre é do início da minha carreira. Um 143 Montée de Tonnerre, acompanhado de trufa negra em crosta de sal. Foi uma revelação, como ter um orgasmo alimentar... tive de esperar mais vinte e cinco anos para ter outro estalo parecido, com o ravióli de tomate de Fulvio Pierangelini, na Toscana...

E inesquecível também foi um vinho da Toscana tomado no restaurante Fasano, em São Paulo. Eu estava só, com um livro sobre Truman Capote e me apaixonei pelo lugar e pelo instante radiante de solidão.

Harmonização memorável foi o encontro de um d?Yquem com um frango assado, uma batalha que terminou com uma pessoa estirada no chão: eu!

BELARMINO IGLESIAS FILHO, restaurateur do A Figueira Rubaiyat

Degustei um 142 Porto de 1929. Éramos poucos e foi a despedida de um grande amigo. Coisas da vida... Ele dizia: "A melhor adega é a que bebemos e não a que temos em casa." Nunca mais me esqueci disso e hoje não tenho dó de provar ou abrir uma grande safra, mesmo precocemente. Quem sabe o dia de amanhã?!

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