Malária mata o dobro do que se pensava até agora, indica estudo

A malária mata mais de 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo anualmente, quase o dobro do que se pensava anteriormente, de acordo com uma nova pesquisa publicada na sexta-feira que questiona anos de pressupostos sobre a doença transmitida por um mosquito.

KATE KELLAND, REUTERS

03 de fevereiro de 2012 | 16h11

Estudos do passado subestimaram centenas de milhares de mortes porque assumiram erroneamente que a malária matava basicamente os bebês e concentraram suas pesquisas em crianças com menos de 5 anos, informou o estudo feito pelo Instituto para Avaliação e Métrica da Saúde (IHME na sigla em inglês), dos Estados Unidos.

O novo estudo, publicado na revista médica The Lancet, descobriu que na verdade 42 por cento das mortes são de crianças maiores e adultos.

O número mais elevado de vítimas indica a necessidade de aumentar os fundos para combater a malária, mesmo que os governos estejam pressionados a cortar suas despesas com assistência em meio à crise econômica global, afirmaram os pesquisadores.

"Você aprende na faculdade de Medicina que as pessoas expostas à malária na infância desenvolvem imunidade e raramente morrem de malária quando adultos", disse Christopher Murray, que liderou o estudo como diretor do IHME. "Descobrimos nos registros hospitalares, nas certidões de óbito, em pesquisas e em outras fontes que esse não é o caso."

No trabalho -- no qual foram usados novos dados e modelos de computador para construir um banco de dados histórico para a malária entre 1980 e 2020 --, eles descobriram que mais de 78 mil crianças entre 5 e 14 anos e mais de 445 mil pessoas com 15 anos ou mais morreram de malária em 2010. Isso significa que mais do que quatro em 10 entre todas as mortes por malária foram de pessoas com mais de 5 anos.

No total, o número de mortes por malária no mundo subiu de 995 mil em 1980 para chegar a um pico de 1,8 milhão em 2004, e depois cair de novo para 1,2 milhão em 2010, descobriu o estudo.

O mais recente relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS) dizia que o número estimado de mortes por malária havia caído para 655 mil em 2010, quase a metade do número do estudo do IHME.

A malária é endêmica em mais de 100 países no mundo, mas pode ser prevenida pelo uso de redes de proteção nas camas e pulverizações em áreas internas para afastar o mosquito que transmite a doença.

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