Malbec por todo lado

 

Luiz Horta,

28 Outubro 2010 | 10h10

A Malbec não é uma uva versátil e onipresente como a Cabernet Sauvignon, mas está se expandindo. Já é possível fazer uma degustação bem variada. Apesar de ser a paladina da vinicultura da Argentina, a casta tem história secular e origem em Cahors, no sudoeste da França.

Foi uma daquelas provas às cegas instrutivas e divertidas, com pegadinhas para os participantes. Eram todos Malbecs tops de várias vinícolas argentinas, de norte a sul do país, com dois infiltrados secretamente, um de Cahors e um orgânico e natural da Familia Cecchin.

O resultado foi inesperado, coisa que só a prova sem ver os rótulos possibilita: os mais conhecidos e caros ficaram atrás de um outro pouco divulgado. O Familia Cecchin não incluí no resultado, por não ser importado aqui (veio do restaurante El Baqueano, de Buenos Aires) e por ser tão diferente dos demais - acabou desmascarado unânime e imediatamente.

Tenho percebido uma constante nos vinhos naturais: os que não têm adição de dióxido de enxofre são muito florais no nariz e também na boca. Este Malbec Cecchin 2007, um pouco mais concentrado e pesado que o 2006 bebido em Buenos Aires, parece um vinho do Rhône sul, com ótima acidez e aromas completamente diferentes dos habitualmente relacionados com a Malbec mendocina.

Confira a análise dos vinhos:

linkObra Prima Coleción 05

linkPequenas Producciones 06

linkYacochuya 01

O francês também foi relativamente fácil de identificar, mais austero e com aquele toque de estábulo comumente associado a Bordeaux que, como se sabe, é vizinha de Cahors. Sempre é bom comparar a uva na sua origem com suas versões e adaptações no Novo Mundo, vendo casos em que o êxito foi tamanho, a ponto de a Malbec argentina voltar para influenciar a original, pois um polêmico movimento começa a plantar clones platinos da variedade em Cahors, com intenção de amaciar e tornar mais comerciais os chamados "vins negres".

Os vinhos dos extremos argentinos decepcionaram. Por alguma razão, notáveis líquidos, como o patagônico Noemía e o saltenho Yacochuya, apareceram desmaiados e pouco sedutores.

 

 

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