MAN vê produção da caminhões até 25% maior por montadoras no Brasil em 2013

A fabricante de caminhões e chassis de ônibus MAN Latin America espera crescimento de 20 a 25 por cento na produção de caminhões pelas fabricantes instaladas no país no próximo ano, recuperando parte de um tombo de dois dígitos previsto para 2012.

ALBERTO ALERIGI JR., Reuters

11 Dezembro 2012 | 16h51

Em entrevista à Reuters, o presidente da divisão latino-americana da fabricante controlada pela Volkswagen, Roberto Cortes, afirmou que o crescimento das vendas de caminhões pelas montadoras no Brasil deve ser da ordem de 7 por cento, em linha com estimativas da associação de montadoras Anfavea, que previu alta entre 7 e 7,5 por cento em 2013 na semana passada.

A diferença das estimativas de aumento para produção e vendas decorre do atual baixo nível de estoques do setor, disse Cortes, avaliando o volume como suficiente para atender 20 dias de vendas ante um nível de dois meses no início de 2012.

"No primeiro trimestre deste ano, as vendas da indústria caíram 6 por cento (sobre o mesmo período do ano anterior). No segundo trimestre, caímos 25 por cento e no terceiro, 35 por cento... E agora o acumulado de outubro e novembro nós caímos só 7 por cento", disse Cortes.

"Realmente houve uma reversão, paramos de cair dois dígitos (...) Entramos bastante pessimistas no ano, mas em 2013 vamos entrar bastante otimistas", disse o executivo.

Nos primeiros 11 meses de 2012, a MAN acumula queda de 19 por cento nas vendas sobre o mesmo período de 2011, para 37.494 unidades, na liderança do setor. Mas apenas em novembro, as vendas apontaram alta de 12,7 por cento sobre outubro e recuo de 5 por cento na comparação anual.

O mercado brasileiro de caminhões enfrentou em 2012 período de transição em que a legislação obrigou a venda de veículos com motores mais limpos em termos de emissões de poluentes, porém mais caros. A mudança causou forte antecipação de compras no fim de 2011 e aumento de estoques, o que foi agravado pelo baixo crescimento da economia este ano.

De janeiro a novembro, as vendas de caminhões no país acumulam queda de 19,5 por cento, enquanto a produção registra tombo de 39 por cento. Com o desempenho negativo, o governo federal tomou uma série de medidas para incentivar as vendas, com a mais recente sendo a renovação por um ano do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) com juros reduzidos para compra de caminhões e bens de capital.

Apesar do otimismo para 2013, Cortes afirmou que a indústria tem como incertezas uma eventual renovação do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), zerado para o setor desde 2009, e a medida que acelerou benefício fiscal de depreciação de caminhões de quatro anos para um ano, que vencem no fim deste ano.

Segundo Cortes, a MAN espera crescer suas vendas mais que os 7 por cento estimados pela Anfavea em 2013 em função da companhia trabalhar com as duas tecnologias de emissões Euro 5 (EGR e SCR). Ele não forneceu uma meta específica de aumento das vendas apenas da MAN.

O quadro da montadora no país, onde possui fábrica em Resende (RJ), difere da situação da Europa, onde marcas como a MAN e a Volvo anunciaram recentemente diminuições de produção por demanda fraca.

Cortes afirmou que a MAN vai parar no Brasil somente para os feriados de Natal e Ano Novo, após ter dado dois períodos de 20 dias de férias coletivas aos funcionários no decorrer de 2012.

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