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JOEL ROSA/EM TEMPO
JOEL ROSA/EM TEMPO

Manaus enfrenta epidemia com quatro tipos de dengue, fato inédito no País

Pela primeira vez, os quatro sorotipos do vírus da dengue circulam simultaneamente em Manaus. A capital do Amazonas enfrenta uma epidemia da doença desde o início do ano. A presença do sorotipo 4 (DEN-4), também pela primeira vez em uma epidemia no País, preocupa especialistas.

Rubens Zaidan, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

"A circulação dos quatro sorotipos ao mesmo tempo é um fato inédito no Brasil. Até agora não havia sido registrada essa situação em nenhum Estado brasileiro", afirma o coordenador do Centro de Virologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, Luis Tadeu Figueiredo.

"O sorotipo 4 só foi identificado até agora no Norte. É o último grau que a disseminação da dengue pode chegar. É um sinal ruim, porque significa que vamos ter mais casos graves de dengue", acrescenta.

Um dos principais arbovirologistas do País, Figueiredo se reuniu esta semana em Ribeirão Preto com a infectologista Maria Paula Mourão, da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, para tratar dos detalhes da implantação do programa para estudo da dengue em Manaus, Boa Vista e Ribeirão Preto.

"Esse é o cenário do dengue que a gente conhece no Sudeste Asiático, onde os quatro sorotipos circulam simultaneamente", lembra Maria Paula.

Figueiredo esclarece que no Caribe ocorreram epidemias dos quatro tipos, mas um sorotipo por vez. "O que está acontecendo em Manaus, com base no que vi lá em janeiro - e chamei atenção para alertar a população - é a circulação dos quatro vírus ao mesmo tempo", reforça ele.

Artigo. A predominância do sorotipo 4 na epidemia de Manaus foi uma surpresa para os pesquisadores, não só porque circula ao mesmo tempo que os sorotipos 1,2 e 3, mas porque pode provocar epidemia. "Até agora, consta na literatura mundial que o vírus 4 não tinha potencial de causar epidemia e sim que pode ser a causa de manifestação grave da dengue. Mas que pudesse ser o principal sorotipo em uma epidemia é novidade", revela Maria Paula. Segundo Figueiredo, o grupo prepara um artigo científico, sobre "o que ainda não foi descrito em nenhuma publicação", para ser publicado em breve em uma revista brasileira.

O estudo da dengue nas Regiões Norte e Sudeste, com a criação de uma rede interdisciplinar de pesquisa básica e aplicada, demorará três anos e será financiado com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Diagnóstico. Os pesquisadores dos centros nos três Estados, coordenados por Figueiredo, estão preocupados com a manifestação da doença no homem e no mosquito.

De Ribeirão Preto, será utilizado um kit de diagnóstico rápido, idealizado pelo virologista Vitor Hugo Aquino, que permite saber em tempo real se a pessoa está doente e qual o tipo de vírus. Além testar o aparelho em plena epidemia, serão estudados os tipos de dengue em circulação, os pacientes e se o que causa a forma grave da doença é o mesmo fator em todos os Estados.

O virologista Benedito Fonseca, de Ribeirão Preto, estudará em laboratório o comportamento dos casos graves.

Os dados da epidemia de dengue de Manaus já entram como parte dessa investigação. Na capital do Amazonas foram confirmados 7 mil casos de dengue, principalmente na periferia da cidade, desde novembro do ano passado.

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