Mandioca: solo seco dificulta a colheita

Oferta da raiz para as fecularias diminuiu, pois produtor optou por paralisar os trabalhos no oeste de São Paulo

Ana Maria H. de Ávila, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 02h46

Esta é a quinta semana consecutiva sem chuvas na maioria dos municípios analisados. Apenas Iguape e Itapeva têm recebido chuvas mais frequentes, entretanto não chove há duas semanas nessas regiões. Uma massa de ar de origem polar provocou o acentuado declínio das temperaturas no início da semana - as mínimas chegaram a 3,9 graus em Piracicaba e 4,2 graus em Taubaté, mas não houve registro de geadas.

Por outro lado, as altas temperaturas - máximas de 32 graus em Presidente Prudente e Votuporanga e 31 graus em Ilha Solteira - acentuam a demanda hídrica da atmosfera, com evapotranspiração diária em torno de 3 milímetros. São altos os riscos de focos de incêndio na vegetação.

Em Barretos, Franca, Garça, Ilha Solteira, Jaboticabal, Ribeirão Preto, Votuporanga e São José do Rio Pardo, a estiagem começou em abril e a umidade disponível no solo está abaixo dos 10% do total, situação bem diferente do mesmo período do ano passado, que foi um ano mais úmido. O zoneamento de riscos climáticos indica o início do período de plantio da safra do milho no começo de setembro, mas não há água disponível no solo para o preparo do solo e a safra pode atrasar.

Clima favorável à operação da colheita da cana-de-açúcar e à qualidade da matéria-prima, com mais açúcar no colmo; as condições climáticas porém podem prejudicar a cana que está em desenvolvimento e comprometer um pouco a próxima safra. Esse comprometimento vai depender da regularidade das chuvas no verão. Se o verão for quente e úmido a cana recupera o prejuízo dessa estiagem, mas se for seco poderá comprometer a produtividade da próxima safra.

O solo seco dificulta o arranquio da mandioca e alguns produtores chegaram a paralisar os trabalhos de colheita em Presidente Prudente, Cândido Mota e Ribeirão do Sul, diminuindo a oferta de raiz para a produção da fécula. A falta de chuvas também diminuiu o ritmo de preparo de solo e plantio para a próxima safra.

Mais água. Com o clima seco aumenta o volume de água necessário para manter a boa produtividade de frutas e hortaliças na região do Cinturão Verde - Suzano e Mogi das Cruzes - e em Piedade, Jundiaí, Jarinu e Atibaia.

O clima seco favorece as atividades de colheita dos pomares de laranja em Bauru, São João da Boa Vista, Jaú, Avaré e Limeira, e a do café em Pedregulho, São João da Boa Vista, Altinópolis e Batatais.

Laranja paulista

Mais do que com a safra da Flórida, os citricultores precupam-se agora com a estiagem prolongada, que afeta os plantios.

ANA MARIA H. DE ÁVILA É PESQUISADORA DO CEPAGRI/UNICAMP. PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE TEMPO E CLIMA, ACESSE WWW.AGRITEMPO.GOV.BR

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