Mangueira tem policiamento reforçado, mas comércio fecha

Na quarta, traficantes queimaram ônibus em protesto à operação que matou líder do tráfico no morro

da Redação, esatdao.com.br

29 Janeiro 2009 | 10h06

O policiamento foi reforçado no Morro da Mangueira na manhã desta quinta-feira, 29. A medida foi tomada após traficantes terem queimado ônibus em represália a uma ação da Polícia Civil no morro, que fica na zona norte da capital fluminense. Na operação, três pessoas morreram, entre elas o traficante Leandro Monteiro Reis, conhecido como Pitbull, que seria o chefe do tráfico no morro. No entanto, criminosos impuseram o luto no asfalto e proibiram o funcionamento do comércio nas imediações da favela.   Veja também:  Ônibus são incendiados no Rio   Ônibus foram incendiados em ruas que dão acesso ao Morro da Mangueira em protesto à ação policial    De acordo com lojistas da Rua Ana Néri, em São Cristóvão, por volta das 5 horas, dois homens em uma moto (o carona armado com um fuzil) percorreram as lojas e ordenaram que eles não abrissem as portas. "Nos preparávamos para abrir. Um funcionário veio me chamar, fui até a porta e um rapaz apontou o fuzil na minha cara e mandou fechar a porta aos palavrões", disse o gerente de uma loja.   Foi na Ana Neri que os traficantes queimaram dois dos quatro ônibus atacados em protesto contra a operação policial. "No dia do tiroteio não trabalhamos e hoje ordenaram o fechamento. É o segundo dia de prejuízo e as contas não param de chegar", lamentou outro comerciante.   Mesmo após a chegada de 50 policiais do Batalhão de Choque em 16 viaturas, com auxílio do carro blindado Caveirão, os comerciantes não abriram as portas. "A polícia não ficará aqui para sempre. Se abrirmos (as lojas) hoje, como fica o amanhã? Quem vai nos proteger", argumentou uma balconista. Temendo represálias do tráfico, todos pediram que não fossem identificados.   Pitbull foi enterrado nesta manhã no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio. Moradores da Mangueira lotaram vários ônibus alugados para ir à cerimônia. Viaturas da PM escoltaram os veículos para impedir manifestações.   Durante a ação, os policiais encontraram no porão de uma casa um paiol dos criminosos. No local, foram apreendidas uma metralhadora .30, um fuzil, duas pistolas e meia tonelada de maconha. Outro fuzil foi apreendido com um dos traficantes mortos. Quatro pessoas foram presas e quatro ficaram feridas. Também foram apreendidos três cadernos com anotações da suposta contabilidade do tráfico.   Agentes da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) investigam esses cadernos. Uma das anotações revela uma movimentação financeira de R$ 974 mil em apenas um dia. O Morro da Mangueira é apontado pela Polícia Federal como o entreposto do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, para venda de drogas no Rio.   As anotações mostram que alguém identificado como "Naldinho" pagou R$ 39 mil por 78 quilos de algum entorpecente. Outra compradora , identificada como "Loira VK", pagou R$ 25 mil por 50 quilos de cocaína. O maior comprador é identificado como "Prata" e pagou R$ 298 mil por 746 quilos de uma droga não identificada nas anotações.   Crack   O governador Sérgio Cabral afirmou nesta quinta que os traficantes do Rio montaram "uma estratégia para gerar o vício do crack na meninada das favelas". Na quarta, o delegado titular da Dcod, Marcus Vinícius Braga, revelou ao Estado que o crack já é a droga mais vendidas em algumas favelas cariocas. De acordo com o governador, os criminosos passaram a agir dessa forma porque o crack é uma droga mais barata.   A declaração foi feita em Davos, na Suíça, onde o governador participa do Fórum Econômico Mundial. "O crack é uma droga assassina. Está matando crianças e adolescentes. Foram criminosos de outros estados que trouxeram este consumo para o Rio. Nossa polícia já apreendeu grandes quantidades desta droga", disse Cabral.   Segurança   O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, lamentou o ataque aos ônibus e disse acreditar que a morte de Pitbull pode abalar a quadrilha que domina os pontos-de-venda de drogas no Morro. "Acreditamos que sim (que abala), mas não estamos preocupados em retirar um ou dois. O problema é muito maior do que esse. Temos que criar ambientes de segurança em diversas áreas do Rio de Janeiro, que cresceu durante décadas de maneira desordenada", disse.   (Com Pedro Dantas e Talita Figueiredo, de O Estado de S. Paulo, e Solange Spigliatti, do estadao.com.br)  Atualizado às 18 horas para acréscimo de infomações

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