Manifestação em Belo Horizonte termina em confronto

As piores previsões das forças de segurança de Minas Gerais se confirmaram e a manifestação realizada nesta quarta-feira em Belo Horizonte terminou em confronto violento entre um grupo de vândalos e policiais militares. No início da noite, os baderneiros já haviam criado um cenário de completa destruição ao longo da Avenida Presidente Antônio Carlos, com focos de incêndio e muita depredação. Diversos suspeitos foram presos e dois estudantes foram levados para hospitais em estado grave, mas ainda não havia balanço oficial de prisões. Informações extraoficiais indicavam que ao menos 25 pessoas teriam ficado feridas.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

26 Junho 2013 | 19h54

Como em todos os protestos realizados na semana passada na capital de Minas Gerais, a manifestação desta quarta-feira começou de forma pacífica. Segundo estimativa da Polícia Militar (PM), aproximadamente 50 mil manifestantes participaram do ato, que, novamente, teve concentração na Praça Sete de Setembro, no centro da capital de Minas. Antes de ter início a passeata, foi feita uma votação no local para definir o trajeto que seria feito. Ao contrário das orientações da polícia, os manifestantes escolheram percorrer, novamente, a Antônio Carlos em direção ao Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, onde foi realizada partida entre Brasil e Uruguai válida por uma das semifinais da Copa das Confederações.

Ao contrário dos outros protestos, o que foi realizado nesta quarta teve grande participação de integrantes de sindicatos e entidades como os Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de Atingidos por Barragens. Apesar de caminhar em direção ao estádio, os líderes conseguiram fazer com que a passeata seguisse direito em direção à Lagoa da Pampulha em vez de entrar na Avenida Antônio Abrahão Caram, que dá acesso à arena e onde estava montado o cerco policial. Ainda houve um princípio de confronto na Avenida Santa Rosa, mas depois a passagem dos manifestantes foi liberada.

Desgarrados

Um grupo de aproximadamente mil pessoas, no entanto, se separou da manifestação, foi em direção ao Mineirão e começou a atirar pedras e bombas caseiras nos militares. A PM reagiu com bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e tiros de balas de borracha, fazendo com a avenida fosse totalmente encoberta pela fumaça.

Mas os vândalos não recuaram. Pelo contrário, o grupo começou a atacar imóveis, ônibus, placas de sinalização e tudo mais que encontraram pela frente. Os baderneiros também atearam fogo em dois imóveis, um deles uma concessionária de veículos e, no início da noite, a informação era de que as chamas já chegavam ao segundo pavimento do estabelecimento, com risco de incendiar os carros. Três dos suspeitos de ter iniciado o incêndio teriam sido presos com computadores furtados de estabelecimentos saqueados.

Durante a confusão, um estudante de 21 anos caiu do Viaduto José Alencar e, segundo o governo de Minas Gerais, foi levado em estado gravíssimo, com múltiplas fraturas, para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS). Outro estudante, de 23 anos, levou um tiro de bala de borracha no olho direito, foi atendido no Hospital Risoleta Neves e depois encaminhado para o HPS.

Mais conteúdo sobre:
ProtestosMG

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.