Manifestação gay bate recorde em meio a protestos religiosos em Cingapura

Um dos maiores públicos já registrados em Cingapura em uma reunião da sociedade civil compareceu a uma manifestação por direitos dos homossexuais neste sábado, em meio a uma oposição barulhenta de grupos religiosos nos dias que antecederam o evento. 

REUTERS

28 de junho de 2014 | 11h39

Estima-se que 26 mil pessoas foram ao Hong Lim Park para o "Ponto Rosa" (Pink Dot), um evento anual que acontece desde 2009 e tem como objetivo combater a discriminação contra casais do mesmo sexo. 

Sexo entre dois homens é ilegal em Cingapura e pode ser punido com até dois anos de prisão, embora o crime seja raramente levado às autoridades. A lei, baseada em textos ingleses do período colonial da ilha, não faz menção ao sexo entre mulheres.

A manifestação, que reuniu pessoas vestidas de rosa em um círculo para formar um ponto rosa no parque, já aconteceu anteriormente sem oposição visível. 

Neste ano, no entanto, alguns grupos islâmicos e cristãos se juntaram para convocar seus seguidores a vestirem branco para mostrar a oposição ao evento e aos que enxergam como uma aceitação crescente da homossexualidade em Cingapura. 

"Neste ano a quantidade de negativismo nos entristeceu bastante" disse Paerin Choa, um dos organizadores da Pink Dot. 

"O que aconteceu nas últimas semanas mostra que a discriminação está bem viva em Cingapura". 

A manifestação acontece em meio ao descontentamento crescente dos cidadãos de Cingapura em relação a questões como imigração, aumento do custo de vida, e direitos dos homossexuais - tudo isso em um país onde a desobediência não é incentivada e reuniões políticas carecem de uma permissão oficial para acontecer, não importando o número de pessoas envolvidas. 

Alguns muçulmanos ficaram particularmente irritados com o evento acontecendo às vésperas do Ramadan, e muitos postaram fotos vestindo branco nas preces noturnas na página do Facebook chamada de "vista branco". 

Alguns grupos cristãos pediram que o governo tomasse uma postura em relação à questão, para reforçar a posição legal de que o sexo entre dois homens é proibido. 

(Por Rachel Armstrong)

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