Manifestação no Recife tem dois detidos e dois feridos

Passeata seguia pacífica, quando, por volta das 17h, crianças e adolescentes começaram a atirar pedras, no bairro de Santo Amaro

Angela Lacerda, Agência Estado

26 de junho de 2013 | 20h16

RECIFE - Dois detidos - um deles de menor -, dois feridos, pedradas e muita tensão marcaram a manifestação realizada na tarde desta quarta-feira, no Recife. O protesto, organizado pela Frente de Luta pelo Transporte Público, integrado majoritariamente por estudantes e movimentos apartidários, saiu às 15h40 da Praça do Derby, área central do Recife, e fez um percurso de 4,5 quilômetros, pela Avenida Agamenon Magalhães, até o Centro de Convenções, onde funciona a sede provisória do governo de Pernambuco.

O objetivo era entregar uma pauta referente ao transporte público ao governador e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Enquanto um cartaz dizia "Queremos ônibus padrão Fifa - todos sentados", os manifestantes também pregavam, em uníssono: "Oh, Eduardo, não é mole não, bota teu filho para andar nesse busão".

Pacífica e colorida, com muitas faixas, cartazes e cobranças aos governos federal e do Estado, a passeata tinha maioria de manifestantes jovem e de classe média. O clima mudou por volta das 17 horas, na altura da comunidade Ilha de Joaneiro, no bairro de Santo Amaro, às margens da Agamenon Magalhães, que liga a zona sul da capital pernambucana a Olinda. Crianças e adolescentes da comunidade jogaram pedras e provocaram correrias. Um fotógrafo da Argentina foi atingido na cabeça e um militar foi ferido no ombro por causa das pedradas. Um homem que estaria jogando bombas de São João e, segundo a polícia, tinha o produto na mochila, foi detido.

A passeata continuou e se deparou com o fechamento da avenida por grades e policiais militares, a cerca de 300 metros da sede provisória do governo estadual. Um coronel da Casa Militar afirmou que Campos poderia receber uma comissão, mas os manifestantes não aceitaram.

A Tropa de Choque se posicionou, assim como a cavalaria, para impedir uma eventual tentativa de invasão pelos manifestantes. Mais pedras foram jogadas em direção aos policiais e um menor de 16 anos foi apreendido por ter sido apontado como um dos agressores. Ele gritava que não havia feito nada, mas foi levado à Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA).

Sem negociação, parte dos manifestantes se dispersou. Um grupo ficou até às 18h30, mas foi aconselhado por advogados voluntários a deixar o local. Eles seguiram para a vice-governadoria, na intenção de fazer um "plantão". De acordo com a Polícia Militar, 2,2 mil pessoas participaram da manifestação. Ao final, este número foi reduzido para 500.

Pauta. Embora sem bandeiras, partidos como PSTU, PSOL e PT tinha representantes no protesto, que incorporou as mais diferentes reivindicações - pelo fim da corrupção, a aumento de salário de aposentados, melhor condição de trabalho e de salário para os enfermeiros da rede pública de saúde e clamor por justiça por familiares de uma vítima de violência.

"Oh, Eduardo, que papelão, os 10 centavos não são solução" era outro dos motes gritados em coro pelos manifestantes numa referência à redução de R$ 0,10 na passagem de ônibus. A Frente de Luta pelo Transporte Público reivindica passe livre para estudantes e desempregados; meia passagem intermunicipal para estudantes; licitação de linhas de ônibus da região metropolitana, renovação da frota e contra a criminalização dos movimentos sociais.

Realizado durante o jogo da Copa das Confederações em que o Brasil venceu o Uruguai e se classificou para a final, o protesto foi uma demonstração de que o futebol não é prioridade para os manifestantes. "Vamos primeiro mudar o País, para depois falarmos em Copa", afirmou um jovem com uma camisa da seleção em torno da cabeça, escondendo o rosto.

Outras duas manifestações foram realizadas na mesma Avenida Agamenon Magalhães durante o dia. Pela manhã, um grupo interrompeu o trânsito pelo fim da corrupção e pelo passe livre. No início da tarde, 250 enfermeiros mostraram sua indignação com o governo do Estado, devido a baixos salários e carga de trabalho.

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