Bernart Armangue/AP
Bernart Armangue/AP

Manifestante egípcio morre durante confronto com a polícia

Ministério do Interior do Egito afirmou que jovem foi atingido acidentalmente por veículo

Reuters,

26 de novembro de 2011 | 11h03

Manifestantes que exigem o fim do governo militar no Egito entraram em confronto neste sábado, 26, com a polícia, perto do Congresso egípcio, em mais um acontecimento que joga dúvidas sobre a eleição parlamentar considerada a primeira votação livre do país em décadas.

Os manifestantes disseram que um homem, Ahmed Sayed, de 21 anos, morreu após ter sido atingido por um veículo de segurança. Sua morte foi a primeira desde que uma trégua entre a polícia e os manifestantes, ocorrida na quinta-feira, provocou a diminuição da violência que já matou 41 pessoas no Cairo e em outras localidades.

O Ministério do Interior egípcio afirmou que o veículo atingiu o manifestante por acidente.

Centenas de pessoas acamparam durante a madrugada na Praça Tahrir, antes das eleições, que devem começar na segunda-feira no Cairo, em Alexandria e em outras regiões. Os confrontos ocorreram depois que um grupo de manifestantes marchou até o Parlamento em protesto contra a indicação de Kamal Ganzouri, um ex-premiê de Hosni Mubarak, como novo primeiro-ministro.

"Abaixo, abaixo com o marechal", gritava um grupo na praça, perto das barracas que foram armadas em um gramado. Eles se referem a Mohamed Hussein Tantawi, que chefia o conselho governamental do Exército e que foi ministro da Defesa de Mubarak por 20 anos.

O conselho militar afirmou na sexta-feira que cada etapa de votação será realizada por dois dias, em vez de um, para dar a todos a chance de votar. A eleição começa na segunda-feira, mas não acabará até o início de janeiro, por causa dos vários estágios de votação.

Manifestantes da Praça Tahrir classificam Ganzouri, premiê entre 1996 e 1999, como outro rosto do passado e cuja indicação reflete a resistência dos generais à mudança. "Por que estão escolhendo Ganzouri agora? Isso mostra que o Exército não quer deixar o poder e, por isso, está reciclando um ex-aliado. Se este governo não terá qualquer poder, por que pegar alguém que é leal a ele?", afirmou o manifestante Mohamed El Meligy, de 20 anos.

Dezenas de milhares de pessoas se juntaram na sexta-feira para exigir que o conselho militar deixe o poder agora, para acelerar a transição à democracia.

Preocupados com a violência, os Estados Unidos e a União Europeia pediram uma rápida transição para um governo civil em um país cujos longos problemas políticos aumentaram as deficiências econômicas.

Os generais estão resistindo aos pedidos de saída. Em vez disso, eles prometeram que um novo presidente será eleito em meados de 2012, mais rápido do que previamente anunciado. Na sexta-feira, o conselho militar nomeou Ganzouri para chefiar um "governo de salvação nacional".

Ganzouri descreveu sua tarefa como ingrata e "extremamente difícil", dizendo que sua prioridade é levar segurança às ruas e ajudar na retomada da economia. O peso egípcio chegou ao seu valor mais baixo em sete anos, e as reservas internacionais caíram um terço desde dezembro de 2010.

Divisão

Enquanto dezenas de milhares de pessoas se agrupavam na Praça Tahrir, pelo menos 5 mil pessoas mostraram apoio ao Exército em outra praça do Cairo, realçando a divisão entre jovens que pedem reformas radicais e egípcios mais cautelosos, que querem a restauração da normalidade no país. A indicação de Ganzouri reforçou essa divisão.

"Ele é um homem muito bom, ele fez muitas boas coisas. Se ele tivesse continuado em seu papel (em 1999), a situação seria muito melhor", afirmou Osama Amara, de 22 anos, um funcionário de restaurante.

Manifestantes apresentaram suas próprias exigências para um governo, cujo comandante seria o candidato presidencial e ex-chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), Mohamed ElBaradei.

(Por Tom Perry)

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