Manifestante morre em 'Dia de Fúria' no Barein, diz testemunha

A polícia do Barein usou gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes na segunda-feira, e uma pessoa morreu durante o "Dia de Fúria" motivado pelas rebeliões populares do Egito e da Tunísia.

FREDERIK RICHTER, REUTERS

14 de fevereiro de 2011 | 19h13

Helicópteros sobrevoavam Manama, capital do país insular do golfo Pérsico, onde os manifestantes deveriam se congregar - algo que não ocorreu por causa da presença das forças de segurança nos bairros xiitas. No entanto, mais de 20 pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, em confrontos nas aldeias xiitas em torno da capital, segundo testemunhas.

O Barein é um país de maioria xiita, mas governado por uma monarquia sunita. Antes dos protestos, o governo ofereceu benefícios financeiros, aparentemente na tentativa de atenuar o descontentamento xiita, estimulado pela onda de rebeliões que tem varrido o mundo árabe nas últimas semanas.

Num hospital de Manama, duas testemunhas disseram que um manifestante de 22 anos, oriundo da localidade de Daih, morreu depois de ser baleado nas costas, e que outro está em estado grave, com traumatismo craniano.

Na aldeia de Diraz, as autoridades usaram gás lacrimogêneo para dispersar cerca de cem xiitas que reivindicavam mais direitos políticos. Outras dez pessoas ficaram feridas em Nuweidrat. "Havia 2.000 (xiitas) sentados na rua expressando suas exigências quando a polícia começou a disparar", disse o manifestante Kamel, de 24 anos.

"Não queremos derrubar a família governante, só queremos ter nossa voz", afirmou Ali Jassem, casado com uma filha do xeque Issa Qassem, um influente clérigo xiita.

Diplomatas dizem que as manifestações no Barein, organizadas via Facebook e Twitter, servem como balão de ensaio para protestos eventualmente mais volumosos.

"Convocamos todos os bahrenitas - homens, mulheres, meninos, meninas - a partilhar de nossas passeatas de forma pacífica e civilizada, como forma de garantir um futuro estável e promissor para nós e nossos filhos", dizia uma convocação pelo Twitter.

"Gostaríamos de salientar que o 14 de fevereiro é só o começo. O caminho pode ser longo, e as manifestações vão continuar por dias e semanas, mas se um povo um dia escolhe a vida, então o destino irá responder."

Analistas dizem que uma onda de manifestações no Barein poderia estimular a marginalizada minoria xiita da vizinha Arábia Saudita.

Os organizadores dos protestos reivindicam uma nova Constituição, escrita com a participação de sunitas e xiitas, além do direito de eleger um primeiro-ministro, a libertação de presos políticos e uma investigação sobre suspeitas de torturas.

As autoridades do Barein não se manifestaram.

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