Manifestantes da região rural protestam em Túnis e pedem mudança

Manifestantes das regiões rurais da Tunísia foram à capital Túnis neste domingo para protestar e exigir que a revolução que eles iniciaram deve agora tirar do poder o restante da velha guarda do presidente deposto.

LIN NOUEIHED E ANDREW HAMMOND, REUTERS

23 de janeiro de 2011 | 12h12

Uma semana depois de o primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi ter assumido o país em uma coalizão interina, após a queda de Zine al-Abidine Ben Ali, ele e outros ex-colegas do partido que estava no poder enfrentam crescente pressão para renunciar.

Tentando se manter distante do antigo regime, a liderança transitória colocou em prisão domiciliar dois ex-assessores de Ben Ali, que fugiu para a Arábia Saudita.

Por dias, manifestantes se juntam em frente ao gabinete do premiê em Túnis, mas tolerados por uma polícia precavida com o seu próprio destino depois de Ben Ali.

Neste domingo, em meio a uma certa paz no fim de semana, centenas de pessoas que foram levadas à capital em uma "caravana da liberdade" cercaram o edifício de Ghannouchi, no centro de Túnis. Muitos eram de Sidi Bouzid, a cidade central onde a "Revolução do Jasmin" começou um mês atrás, quando um jovem cometeu suicídio.

"Somos marginalizados. Nossa terra é do governo. Não temos nada", afirmou Mahfouzi Chouki próximo à cidade, que fica 300 quilômetros ao sul de Túnis.

Amin Kahli, também da região de Sidi Bouzid, afirmou que estava honrando a memória não apenas de Mohamed Bouazizi, que ateou fogo em si próprio como forma de protesto, mas a dezenas de outras pessoas que morreram quando enfrentaram a polícia armada de Ben Ali enquanto protestavam. Kahli perdeu um irmão na revolta.

"Meu irmão estava saindo de casa para trabalhar quando um atirador o acertou no peito", afirmou. "Ele tinha apenas 21 anos. Eu quero justiça para ele e eu quero que esse governo caia."

Vários membros do partido RCD, de Ben Ali, mantêm importantes ministérios, como os do Interior, da Defesa e das Relações Exteriores.

DEZENAS DE MORTOS

A revolta na Tunísia agitou milhões de pessoas no mundo árabe, que também sofrem com o alto desemprego, o aumento dos preços e um governo repressivo. No Iêmen, o país árabe mais pobre, centenas de estudantes fizeram uma manifestação neste domingo após a prisão de uma mulher que tinha liderado protestos anteriores exigindo uma revolta ao estilo tunisiano.

Em uma emotiva entrevista à televisão estatal na sexta-feira, Ghannouchi afirmou que pretendia se retirar da política após organizar eleições. Mas, apesar dos sinais de que muitos tunisianos gostariam ver a paz de volta ao país, suas palavras falharam na tentativa de acabar com os protestos.

Ghannouchi também tentou se distanciar do ex-líder. Ele prometeu persegui-lo e obter uma compensação para as famílias vítimas de abusos dos direitos humanos.

O novo ministro do Interior disse que 78 pessoas foram mortas desde o início das manifestações, em dezembro, mas o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos colocou esse número em 117. O governo afirmou que escolas e universidades começariam a reabrir na segunda-feira e que eventos esportivos, também paralisados desde a última semana, voltariam em breve. O toque de recolher noturno permanece em vigor.

(Reportagem adicional de Tarek Amara)

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