Manifestantes entram em confronto com a polícia no Barein

Manifestantes pró-democracia do Barein queimaram pneus e entraram em confronto com a polícia, no sábado, exigindo a libertação de líderes da oposição e de ativistas de direitos humanos, um dos quais está em greve de fome há três meses, segundo moradores locais.

HAMAD MOHAMMED, REUTERS

12 Maio 2012 | 17h12

Centenas de jovens se reuniram, principalmente em aldeias xiitas localizadas fora da capital do país do Golfo, Manama. Alguns usavam máscaras e jogavam coquetéis molotov na direção dos policiais da tropa antimotim, disseram os moradores.

Muitos gritavam: "O povo quer a queda do regime!" e "Abaixo, abaixo Hamad!" referindo-se ao governante, o rei Hamad. A polícia atirou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.

Em Washington, o Departamento de Estado dos Estados Unidos disse na sexta-feira que os EUA retomariam parte das vendas militares ao Barein, um aliado importante no Golfo, de frente para o Irã, apesar das preocupações de ativistas de Direitos Humanos em relação aos protestos populares contra os governantes do reino.

Barein, que é governado por uma monarquia sunita muçulmana e hospeda a Quinta Frota dos EUA está em crise desde que ativistas, principalmente da comunidade xiita, começaram os protestos em fevereiro de 2011, inspirados nas revoltas bem sucedidas do Egito e da Tunísia.

As autoridades tentaram esmagar o movimento, impondo a lei marcial, trazendo o exército saudita e acusando os ativistas de cooperarem com o Irã xiita para mudar o sistema de governo. A oposição e o Irã rejeitam a acusação.

Mais de um ano depois, a agitação continua com passeatas semanais dos partidos de oposição e confrontos entre os jovens ativistas e a polícia antimotim.

No sábado um esquadrão antibomba da polícia removeu um objeto que parecia ser uma bomba caseira, numa área aos oeste de Manama, mas mais tarde a polícia disse aos jornalistas que o artefato era falso.

No sábado passado, uma bomba improvisada feriu quatro policiais, quando a polícia entrou em confronto com os manifestantes que exigiam a libertação de Abdulhadi al-Khawaja, um ativista preso que está em greve de fome, e de outras figuras da oposição que também estão presas.

Na semana passada a polícia também prendeu Nabeel Rajab, chefe do Centro de Direitos Humanos do Barein, quando ele voltou de Beirute.

Os promotores o interrogaram a respeito de suas mensagens no Twitter. Ele também enfrenta acusações anteriores de ter organizado um protesto em Manama, em março.

Rajab ficou famoso no ano passado quando se tornou um ativista incisivo contra a repressão. Com mais de 140.000 seguidores no Twitter, ele é um dos principais ativistas online do mundo árabe.

Um tweet da sua conta no sábado diz: "Lembrem-se que seu objetivo não é lidar com a polícia antimotim nas ruas, é o regime. Mantenham o foco no alvo verdadeiro, fiquem calmos."

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