Manifestantes fazem ato por células-tronco no STF

Um grupo de 30 pessoas, entre portadores de doenças degenerativas e seus familiares, fez hoje diante do Supremo Tribunal Federal (STF) um ato simbólico em favor da Lei de Biossegurança, cuja legalidade será analisada na próxima semana pelo STF. No grupo, Daniele Araújo, casado com Ronald de Carvalho, 34 anos, que sofre de esclerose múltipla e que em 2005, quando a lei foi aprovada pelo Congresso, conseguiu andar de muletas e tinha autonomia para atividades básicas. Hoje, precisa de ajuda para praticamente tudo. "Até para comer ele precisa de ajuda", afirmou.Daniele era católica. Quando o marido começou a desenvolver a doença, procurou respostas na religião e na ciência. As pesquisas com células-tronco embrionárias seriam, de acordo com ela, uma esperança para o marido. Diante da resistência da Igreja ao uso dos embriões em estudos científicos, perdeu a fé no Catolicismo. "Hoje eu sou espírita", revelou. Tânia Fonteles foi representar a filha, Maria Fernanda, 5 anos, que tem atrofia muscular espinhal e desde que nasceu sai da cama apenas para ir ao hospital. "Quando se tem alguém na família que precisa desse tratamento, a situação é diferente. Se ele (o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles) tivesse um familiar nessa situação, não entraria com essa ação contra a lei", afirmou.Assim como Daniele, não é católica. "Sou evangélica", contou. "Um dia, estava conversando com o pastor, ele me disse que, se o homem pode estudar e desenvolver a ciência, não pode ser proibido", relatou. Gabriela Costa, portadora de distrofia muscular e uma das fundadoras do Movimento em Prol da Vida (Movitae), afirmou que desde a aprovação da lei, a saúde de vários portadores de doenças degenerativas piorou nesses últimos três anos. Um deles, contou sem revelar o nome, contribuiu para a mobilização em prol da lei no Congresso e hoje não consegue mais sair da cama. "Ele é um grande amigo. E não tem condições de estar aqui", lamentou. "Ele está com a saúde bastante debilitada". Na próxima quarta-feira, o grupo promete voltar ao STF para acompanhar o julgamento. Os ministros julgarão se a lei, já promulgada, é constitucional ou não. Caso as pesquisas sejam consideradas legais, os cientistas poderão voltar a estudar tratamentos para essas doenças. Caso contrário, esses embriões continuarão congelados.

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