Manifestantes lotam centro de Túnis após semanas de calma

Milhares de manifestantes contrários aos islâmicos tomaram a principal avenida de Túnis neste sábado. O protesto encerra semanas de calma na capital do país do norte da África e levou as autoridades a ameaçar com uma reação forte.

TAREK AMARA AND RICHARD VALDMANIS, REUTERS

19 de fevereiro de 2011 | 17h23

Um levante popular na Tunísia em janeiro derrubou o presidente Zine al-Abidine Ben Ali, que deixou o país, e resultou numa onda de protestos pelo mundo árabe. A queda do presidente abriu caminho para a influência islâmica, reprimida sob o antigo governo no país.

Ao menos 15.000 pessoas participaram da manifestação contra o movimento islâmico da Tunísia, pedindo tolerância política, um dia depois de o governo ter dito que um padre teve a garganta cortada por um grupo que classificou de "terrorista".

"Nós precisamos viver juntos e ser tolerantes com a visão dos outros", disse Ridha Ghozzi, de 34 anos, que participava da manifestação na qual podiam ser vistos cartazes dizendo "o terrorismo não é tunisiano" e "a religião é pessoal".

As manifestações deste sábado, registradas em outras partes da capital, mostram a desconfiança com relação ao partido Islamist Ennahda, proibido durante duas décadas no governo de Ben Ali, mas que se reorganizou.

Ennahda divulgou um comunicado, no sábado, condenando o assassinato do padre polonês e a violência usada em protestos islâmicos contra bordéis tunisianos nas últimas semanas.

O Ministério do Interior afirmou, em nota, que as manifestações permanecem proibidas sob o estado de emergência imposto desde a revolução e que os que delas participarem poderão ser processados.

Por mais de duas semanas, a capital da Tunísia não havia registrado nenhum outro protesto e mantinha-se em relativa calma.

Ben Ali, que assumiu o poder em 1987, era visto por muitos como um político opressor que se apropriou de dinheiro público. As eleições para substituí-lo devem ocorrer em julho ou agosto.

Tudo o que sabemos sobre:
TUNISIAPROTESTO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.