Manifestantes marroquinos boicotam eleição 'antidemocrática'

Ativistas da oposição marroquina intensificaram sua campanha por um boicote à eleição parlamentar desta semana, alegando que o pleito irá resultar em uma assembleia corrupta, sem disposição para implementar as reformas radicais que eles querem para o país.

REUTERS

22 de novembro de 2011 | 09h53

Inspirados na onda regional de rebeliões que ficou conhecida como Primavera Árabe, os ativistas têm realizado protestos há vários meses. A eleição de sexta-feira é vista como um teste quanto às verdadeiras intenções do rei Mohammed 6o de democratizar o Marrocos e ceder alguns dos seus poderes para ocupantes de cargos eletivos.

O monarca apoiou alterações constitucionais e antecipou a eleição em dez meses, como parte de um plano palaciano para trazer caras novas a um governo visto como corrupto por muitos marroquinos.

Mas os ativistas, liderados pelo chamado Movimento 20 de Fevereiro, dizem que a eleição apenas promete mais do mesmo.

"Estamos convocando um boicote porque a Constituição não é democrática e... permite que a corte real domine as Forças Armadas, o Executivo e as autoridades religiosas e judiciais", disse Najib Chawki, ativista do 20 de Fevereiro.

"O Ministério do Interior continua a controlar essas eleições, que marcaram a volta como candidatos de alguns políticos famosos por seu envolvimento em fraudes e corrupção."

No domingo, o movimento promoveu manifestações em várias cidades, reunindo cerca de 10 mil pessoas em Tânger (norte), e números menores em Casablanca e Rabat.

É improvável que o boicote inviabilize a eleição, já que a maioria dos 32 milhões de marroquinos se mostra desinteressada pela política e reverente ao rei.

A principal disputa no pleito é entre políticos islâmicos moderados, leais ao palácio, e uma coalizão centrada em torno de um partido fundado por um amigo do rei.

Para a monarquia, o maior risco é de que um baixo comparecimento gere dúvidas sobre o seu movimento democratizante, e anime seus adversários a cobrarem reformas mais radicais.

A última eleição parlamentar, em 2007, teve a participação de apenas 37 por cento dos eleitores, menor índice na história.

Desta vez, Mohammed 6o exortou os cidadãos a votarem. "Uma ampla mobilização nacional é essencial para enfrentar o desafio de assegurar o sucesso das eleições, para que elas sejam livres, limpas e competitivas", disse o monarca em discurso no começo do mês.

As autoridades também tomaram medidas mais duras para tentar esvaziar o boicote. Vários ativistas já foram detidos e interrogados pela polícia por distribuírem panfletos nesse sentido. A lei marroquina não proíbe explicitamente a convocação do boicote, por isso não ficou claro quais acusações foram feitas aos ativistas.

O proscrito movimento islâmico Justiça e Caridade e dois pequenos partidos de esquerda também decidiram boicotar a eleição.

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