Lúcio Bernardo Júnior
Lúcio Bernardo Júnior

Grupo pró-ditadura invade plenário da Câmara

Coletivo que se identifica como de 'direita' e a favor de intervenção militar diz que protesto é para 'fechar o Congresso Nacional'

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2016 | 16h15

BRASÍLIA - Manifestantes invadiram, na tarde desta quarta-feira, o plenário da Câmara dos Deputados. Segundo manifestantes ouvidos pelo Broadcast Político, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado, o protesto é contra as medidas do pacote anticorrupção que afetariam o Judiciário, como a que instituía crime de responsabilidade para juízes e todos os membros do Ministério Público. Diante das críticas do Ministério Público Federal, o relator do pacote das medidas anticorrupção, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), retirou do parecer o item.

Eles se identificaram à reportagem como um "grupo de direita", que defende a volta da ditadura militar. Um dos manifestantes Jeferson Vieira Alves, empresário da construção civil, disse que o protesto foi combinado via WhatsApp e reúne pessoas de várias partes do País. "Viemos hoje fechar o Congresso Nacional", disse.

Os manifestantes entraram no local por volta das 15h30. Durante a invasão, foi quebrada uma porta de vidro da entrada principal do plenário. Ao entrar no local, o grupo seguiu direto para a Mesa Diretora, onde permaneceu gritando palavras de ordem contra algumas medidas do pacote anticorrupção e a favor do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato na primeira instância.

Durante o protesto, houve reação dos policiais legislativos da Câmara, que tentam retirá-los do plenário. Alguns seguranças da Casa usaram pistola de choque para conter alguns manifestantes, que dizem ser de vários Estados brasileiros. Jornalistas e funcionários da Câmara que acompanhavam o protesto também foram retirados do plenário.

O pacote anticorrupção está previsto para ser votado na tarde desta quarta-feira, 16, na comissão especial da Câmara que analisa a matéria. Entre outros pontos, o pacote prevê tipificação do crime de caixa 2. Deputados articulam a votação da anistia para políticos, partidos e empresários que cometeram o crime antes da aprovação do pacote. 

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