Manifestantes prometem aumentar protestos no Iêmen

Manifestantes no Iêmen que estão pedindo a saída do presidente Ali Abdullah Saleh prometeram aumentar os protestos e disseram que os assessores mais próximos de Saleh podem frustrar um plano para que ele renuncie.

MOHAMED SUDAM E MOHAMMED GHOBARI, REUTERS

24 de abril de 2011 | 14h39

Saleh comanda o país da Península Árabe há quase 33 anos e concordou com uma iniciativa do Golfo Árabe que levaria a sua renúncia passado um mês da assinatura do acordo com a oposição.

A principal coalizão de oposição apoiou condicionalmente o plano, mas jovens e ativistas que deram força aos protestos contra Saleh permanecem céticos.

Eles estão preocupados que os partidos de oposição e de governo, que estavam no parlamento antes dos protestos, vão sacrificar os desejos de dezenas de milhares de manifestantes para conseguir benefícios políticos. E eles não confiam nas intenções de Saleh.

"Há muito ressentimento entre os jovens porque a oposição concordou com essa iniciativa," disse à Reuters Abdulhafez Muajeb, o líder do movimento de protesto na cidade portuária de Hudaida, no Mar Vermelho.

"Do nosso ponto de vista, vamos aumentar os protestos até fazermos o presidente renunciar imediatamente."

Em Sanaa, onde manifestantes estão acampados há semanas, muitos gritavam: "Sem negociação, sem diálogo, renuncie ou fuja!"

A oposição, liderada por partidos islâmicos e esquerdistas, havia sido considerada fraca se comparada com o partido de governo, mas ela conseguiu realizar protestos significativos. Centenas de manifestantes foram mortos nos últimos meses de protesto no Iêmen.

Analistas dizem que o período de 30 dias desde a assinatura do acordo até a renúncia de Saleh -- e não está claro quando começa o tal período -- oferece uma janela de oportunidade para que os conflitos derrubem os planos de transição.

"Líderes tribais ou os filhos do presidente ou outros líderes podem fazer o que quiserem, porque com esse acordo eles é que vão perder," disse o analista iemenita Ali Seif Hassan. "Se não houver guerra civil, eles vão perder. Mas se houver uma guerra, eles podem vencer porque podem liderar a luta."

Isso preocupa Washington e outros países vizinhos na região árabe, que temem que o caos se instale e abra espaço para o fortalecimento do braço iemenita da al-Qaeda, que tem fortes ambições no país - que produz 3 milhões de barris de petróleo por dia.

Saleh no domingo disse à BBC que a al-Qaeda estava ativa entre os manifestantes. Ele tem dito que os protestos servirão à al-Qaeda. Enquanto isso a oposição, cujo maior partido islâmico é o Islah, diz que está mais bem-equipada para combater os militantes.

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