Manifestantes tailandeses prometem 'lutar até a morte'

Oposição continua ocupando os dois aeroportos da capital, Bangcoc.

Da BBC Brasil, BBC

28 Novembro 2008 | 10h06

Os manifestantes que invadiram os dois aeroportos de Bangcoc, na Tailândia, afirmam que vão lutar até à morte caso as forças do governo tentem retirá-los à força do local."Não temos medo. Vamos lutar até à morte, não vamos nos render, estamos prontos. Se nos dispersarem, voltaremos com mais manifestantes", disse Somsak Kosaiuk, um dos líderes, no aeroporto de Don Mueang, nesta sexta-feira.Na quinta-feira foi declarado estado de emergência na área em torno dos dois aeroportos da capital tailandesa que seguem completamente paralisados pelos protestos. Os manifestantes exigem a renúncia do primeiro-ministro Somchai Wongsawat.Segundo correspondentes a polícia está preparada para agir, mas ainda não fez nenhum movimento. A presença de crianças e idosos entre os manifestantes pode ser uma das razões, além da recusa por parte do Exército em se envolver.Nesta sexta-feira, o governo tailandês anunciou a demissão do chefe de polícia nacional, em conseqüência dos tumultos.BloqueioSegundo o correspondente da BBC no aeroporto de Suvarnabhumi Jonathan Head, funcionários de companhias aéreas e passageiros já foram retirados dos aeroportos e ambulâncias e caminhões da polícia estão no local.Os manifestantes que invadiram os dois aeroportos liderados pelo partido Aliança Popular pela Democracia (PAD, na sigla em inglês), exigem a renúncia do primeiro-ministro, que afirma que a polícia e algumas unidades militares vão tentar por um fim ao bloqueio dos aeroportos."Como chefe de governo tenho que fazer algo para restaurar a ordem. É necessário declarar estado de emergência em algumas áreas. Fazendo isto, não tenho nenhuma intenção de ferir membros do público. Quero facilitar o trabalho das autoridades de segurança", afirmou.Segundo o correspondente da BBC em Bangcoc Quentin Sommerville, o primeiro-ministro tailandês afirmou que vai permanecer na cidade de Chiang Mai, no norte do país.O avião de Somchai Wongsawat não conseguiu pousar nos aeroportos de Bangcoc na volta de uma visita fora da Tailândia.O correspondente afirma que o premiê tailandês tem pouca confiança nos militares e a capital Bangcoc está repleta de boatos de um golpe militar para tirá-lo do poder.No começo da semana, o comandante do Exército tailandês, general Anupong Paochinda, pediu que Wongsawat convocasse eleições de emergência para tentar por fim à crise.Um porta-voz do governo afirmou que as tensões com o Exército levaram Somchai Wongsawat a permanecer na cidade por questões de segurança.As instituições de governo tailandesas parecem cada vez mais fragmentadas e, apesar de o governo ainda ter o apoio popular, não há um controle dos militares. PrejuízoDe acordo com Quentin Sommerville a Aliança Popular pela Democracia (PAD, na sigla em inglês) está cada vez mais isolada, pois está perdendo o apoio do público na ocupação dos aeroportos.Mesmo os partidários mais tradicionais do movimento, a elite empresarial tailandesa, parece estar insatisfeita com o protesto.Uma estimativa é de que a ação dos manifestantes está causando um prejuízo de US$ 4 bilhões aos negócios do país, principalmente à indústria de turismo, além dos danos à reputação da Tailândia.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.