Manifestantes têm que deixar ruas de Hong Kong ou podem ser presos, diz governo

Manifestantes têm que deixar ruas de Hong Kong ou podem ser presos, diz governo

Centenas de pessoas lideradas por estudantes estão acampados em dois distritos-chave da cidade

REUTERS

11 Novembro 2014 | 10h46

A chefe-executiva em exercício de Hong Kong pediu nesta terça-feira para que manifestantes pró-democracia liberem os locais ocupados na cidade há mais de seis semanas e alertou que aqueles que permanecerem podem ser presos.

Centenas de manifestantes liderados por estudantes estão acampados em dois distritos-chave da cidade controlada pela China. A mídia de Hong Kong noticiou que as autoridades podem começar a retirar os manifestantes já na quarta-feira.

“Para aqueles que, contra a lei, ocupam as vias, solicitamos que vocês deixem as áreas rápida e pacificamente”, disse Carrie Lam, que atua como líder enquanto o chefe-executivo Leung Chun-ying está em uma cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Pequim.

Os manifestantes reivindicam eleições plenamente democráticas para a escolha do próximo chefe-executivo da ex-colônia britânica em 2017, em lugar de uma votação apenas entre candidatos autorizados por Pequim.

A mídia de Hong Kong tem especulado que a China estaria esperando para retirar os manifestantes após a cúpula da Apec, que se encerra na noite desta terça-feira. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, na quarta-feira antes de deixar o país.

Autoridades dos EUA disseram que liberdade de expressão e de associação são valores universais, incluindo em Hong Kong.

Carrie Lam fez o alerta um dia após uma corte de Hong Kong ter decidido que a polícia pode prender os manifestantes que desafiarem as autoridades que tentaram liberar as vias.

Ela disse que a polícia faria prisões se necessário, mas não deu prazos.

Manifestantes disseram que estão prontos para reagir a quaisquer medidas para liberar os locais.

“Todos os ocupantes já empacotaram seus pertences e algumas estações de suprimentos também já estão prontas para serem facilmente transportadas rapidamente”, disse Kaven Chan, de 20 anos, que protesta no distrito de Mong Kok.

No ápice das manifestações, a polícia chegou a disparar gás lacrimongêneo e spray de pimenta para dispersar milhares de manifestantes, muitos dos quais utilizaram guarda-chuvas, luvas e máscaras para se proteger.

Quase nove entre 10 manifestantes disseram estar prontos para permanecer nas ruas por mais de um ano a fim de pressionar pela implementação da total democracia, de acordo com uma pesquisa informal da Reuters no mês passado.

(Por Diana Chan e Donny Kwok)

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