Manipulação genética cria camundongos esquizofrênicos

Exames de ressonância magnética revelaram defeitos da estrutura cerebral associados à doença

Efe,

30 Julho 2007 | 17h41

Uma equipe de cientistas dos EUA alterou camundongos geneticamente para que desenvolvessem os sintomas físicos e comportamentais da esquizofrenia, para ajudar no estudo da doença, que atinge cerca de 1% da população humana.   O cientista Akira Sawa e colegas da Universidade Johns Hopkins valeram-se da descoberta de que alterações de um gene, DISC-1, aumenta substancialmente o risco do transtorno mental. Diferentemente de estudos anteriores em animais, que se valiam de drogas para simular os sintomas, os novos camundongos sofreram uma alteração genética relevante para o distúrbio.   Sawa e sua equipe sabiam que o gene, cuja sigla em inglês significa "Perturbado na Esquizofrenia", fabrica uma proteína que ajuda as células nervosas a assumirem as posições corretas no cérebro. Em artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas explicam que os camundongos modificados têm uma forma incompleta da proteína DISC-1, além da versão normal.   A forma curta adere à normal, e perturba seu funcionamento.   Quando os camundongos chegaram à maturidade, mostraram-se mais agitados e que os animais normais, tiveram dificuldade em encontrar alimentos ocultos e mostraram outras alterações de comportamento.   Essas condutas foram relacionadas à hiperatividade, problemas de olfato e apatia que se observam em humanos esquizofrênicos.   Exames de ressonância magnética revelaram os mesmos defeitos característicos da estrutura cerebral associados à doença, mas em forma menos grave - sinal, explica Sawa, de que é preciso mais de um gene para desencadear a enfermidade.

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