Mantega cobra juro menor para o crediário

Diante da presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, Luiza Helena Trajano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, cobrou ontem a redução dos juros do crediário cobrados da população de baixa renda pelas empresas de varejo. Embora publicamente tenha dito que a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca reduziu preços, Mantega tem em mãos levantamento da área técnica mostrando que os juros elevados do crediário, em alguns casos de 6% ao mês, acabam anulando o repasse para o consumidor da redução do tributo.

BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

"Eu sempre repito que os juros continuam altos. Acredito que os comerciantes e as instituições financeiras que os acompanham deveriam fazer esforços maiores para reduzir as taxas de juros dos crediários", disse Mantega.

O ministro condicionou a renovação da redução do IPI ao repasse integral da redução do imposto aos preços finais e ao aumento do emprego na indústria e no comércio. Mas se trata apenas de um acordo de cavalheiros, sem compromisso formal. "Haverá contratação maior de mão de obra, tanto no setor de comercialização quanto no de produção."

No entanto, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, rebateu Mantega durante a entrevista, ao afirmar que as indústrias devem apenas manter o quadro atual. Ele disse que, se o IPI tivesse voltado ao nível anterior, haveria demissões.

Para quebrar o constrangimento, Luiza Trajano disse que o impacto no emprego será maior no varejo. Segundo ela, o setor assumiu o compromisso de contratar como funcionários temporários em novembro e dezembro o equivalente a 10% ou 15% do seu quadro. A empresária informou que vai contratar 1.500 funcionários temporários na sua rede, Magazine Luiza, e as Casas Bahia, maior rede de varejo do País, outros 5 mil funcionários.

A desoneração do IPI por mais três meses custará ao governo R$ 132,1 milhões. Mantega avaliou que "daqui a pouco" a economia brasileira não precisará mais de estímulo do governo e poderá "andar com as próprias pernas". Ele ponderou que, já em janeiro de 2010, a reação da economia será definitiva. "Reação já há. O importante é que a roda da economia possa garantir que essas vendas sejam feitas mesmo com o IPI um pouco maior."

Luiza Trajano disse que 85% dos eletrodomésticos beneficiados têm selo ambiental e os que não têm serão rapidamente adaptados. "Isso é bom para a classe C, que vai pagar menos energia." O Inmetro classifica os aparelhos em categorias de "A" a "G", de acordo com a eficiência energética. Os dados do Inmetro mostram que 93,4% dos tanquinhos, 97,37% das máquinas de lavar e 60,3% dos refrigeradores têm selo classe A. Os fogões não recebem selo Procel. São classificados por outro critério.

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