Mantega não fica em 2015 e Dilma indica mudanças na política econômica

A presidente Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não seguirá no cargo se ela for reeleita e que o governo terá mudanças na política econômica, mas manterá o foco no emprego e na recuperação do poder de compra dos salários.

REUTERS

08 Setembro 2014 | 19h14

"O Guido Mantega já me comunicou que ele não tem como ficar no governo no segundo mandato, que porventura eu tenha, por questões eminentemente pessoais, que eu peço para vocês respeitarem", afirmou Dilma em sabatina ao site do jornal O Estado de S. Paulo, no Palácio da Alvorada nesta segunda.

Sem se estender nas explicações, Dilma também disse que a política econômica será alvo de "várias mudanças", porque o país já estaria preparado para elas.

"Vai haver mudanças porque eu acho que o país se preparou para essas mudanças. Nós temos condições agora de diminuir, por exemplo, alguns incentivos", afirmou a presidente sem dizer quais.

"Nós vamos continuar focados em emprego e garantia de salário para a população", explicou. "Eu não concordo... que a raiz da inflação é a política de valorização do salário mínimo", acrescentou. Alguns economistas veem a alta dos salários acima da inflação como uma das pressões inflacionárias.

Ele manteve também a defesa das medidas adotadas pelo governo para incentivar a indústria e defendeu sua política para o setor, indicando que nesse ponto haverá menos mudanças num eventual segundo mandato.

PETROBRAS

Questionada sobre as recentes denúncias, baseadas num depoimento de acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Dilma disse que "em nenhum momento" suspeitou de esquemas de corrupção na estatal.

Antes de ser eleita presidente em 2010, Dilma foi ministra de Minas e Energia no governo Lula e presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

"Em nenhum momento houve (desconfiança de um esquema de corrupção). E é interessante que a gente lembre que esse (ex) diretor da Petrobras é um quadro de carreira da Petrobras, o que é ainda mais estarrecedor", afirmou a petista.

Dilma disse que não tomará nenhuma providência em relação a membros do governo citados nas denúncias da mídia, como é o caso do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, até que tenha acesso a dados oficiais do depoimento.

"Ele (Lobão) deu as explicações para mim e deu por escrito também. Soltou duas notas. Ele nega veementemente tais fatos", disse ela sobre o ministro.

A presidente disse que já pediu por intermédio do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informações para a Polícia Federal e para a Procuradoria-Geral da República. A PF já informou, segundo Dilma, que não pode passar informações do depoimento.

"Se tiver algum funcionário do governo, algum agente público do governo, enfim qualquer pessoa do governo federal envolvida nós gostariamos de ter acesso a essa informação para poder tomar todas as providências e saber que essas providências estão sendo tomadas baseadas em informações oficiais", argumentou.

"Eu sou presidenta da República, eu tenho de acatar informações oficiais... da Polícia Federal, do Ministério Público Federal. Caso o Ministério Público não seja capaz de me responder, vou pedir ao Supremo Tribunal Federal que informe", acrescentou.

Ela argumentou ainda o depoimento de delação premiada tem que ser homologado e investigado, "porque quem faz a delação premiada pode não gostar de uma pessoa e usá-la (contra essa pessoa) ou pode proteger uma outra que é mais culpada", disse.

"Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso te garantir que todas, vamos dizer assim, as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas", disse Dilma.

Cobrada pelos adversários na disputa presidencial sobre sua responsabilidade política nesse caso, Dilma disse a jornalistas após a sabatina que sua responsabilidade é ter investigado a estatal, mas é também compartilhada.

"É bom saber antes quem é que tem responsabilidade nesse episódio da Petrobras. E isso vale pra todo mundo. Vale pra mim, para todos os partidos envolvidos", disse ao jornalistas.

"Quem tenta desacreditar a Petrobras está num caminho indevido", acrescentou a petista.

TARIFAÇO

A presidente voltou a negar que planeje promover um tarifaço caso seja reeleita e questionou a estratégia usada pelo adversários na disputa presidencial de argumentarem que os preços administrados pelo governo estão represados e, por isso, estaria a caminho um tarifaço.

"Os que propõem que haja um grande tarifaço na gasolina estão atrelando sim o preço do petróleo ao mercado internacional", disse Dilma. "Não há lei divina que nos obrigue a atrelar o preço ao mercado internacional."

"Nós faremos tudo muito moderadamente, não somos a favor de tarifaço. Se reajuste houver não será tarifaço", disse Dilma.

"Demos vários aumentos (para a gasolina), mas nunca demos aumento abusivo", afirmou.

(Por Jeferson Ribeiro)

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