Mantega vê recessão mundial e pede que Brasil consuma

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta segunda-feira que a economia mundial caminha para a recessão, mas ressaltou que o governo brasileiro está tomando medidas para conter o impacto aqui e recomendou que a população continue consumindo para não prejudicar a atividade. Ele acrescentou que as medidas que o Banco Central vem tomando nas últimas semanas estão servindo para recompor o crédito que tinha diminuído no país, mas lembrou que algumas delas não têm impacto imediato. "É quase certo que haverá uma retração na atividade econômica (mundial) e até mesmo uma recessão", disse Mantega a jornalistas após reunião com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo. "O impacto aqui no Brasil continua o mesmo. Temos uma escassez de crédito para operações de ACC (Adiantamentos de Contratos de Câmbio)... Estamos preocupados também com a irrigação de crédito no setor agrícola, que precisa de recursos nesta época do ano. Estamos ativando linhas para isso", acrescentou ele, referindo-se a medidas já anunciadas pelo governo. Ele mostrou preocupação também com o capital de giro para pequenas e médias empresas e para a indústria automobilística. Depois da reunião com os ministros, Lula encontrou-se com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider. A Presidência não divulgou informações sobre a reunião. "Há uma redução momentânea do crédito que está sendo sanada pelo governo. Nós sabemos que houve uma redução drástica... mas já há uma recomposição desse crédito", afirmou Mantega. "O crédito vinha crescendo num volume muito grande, tinha alguma gordura. Então, de fato, houve uma redução, principalmente setorial. Com a liberação do compulsório pelo BC, nós estamos recompondo esse crédito." Mantega afirmou que as medidas sobre o compulsório já liberaram 50 bilhões de reais na economia. "Algumas medidas demoram um pouco porque é a primeira vez que nós a estamos tomando..., medidas que havia muito tempo não se fazia, e tivemos que aperfeiçoar os instrumentos." CONTÁGIO PSICOLÓGICO Mantega acrescentou que parte do impacto da crise financeira mundial no Brasil é psicológico e que as pessoas não podem ter medo. "O contágio é um pouco psicológico, diante do quadro internacional muito forte nos Estados Unidos", disse. Dando um exemplo pessoal, Mantega afirmou que está comprando um imóvel que será pago entre 8 e 10 parcelas. Mas a operação será feita diretamente com o proprietário e não por intermédio de um banco. "Eu estou comprando um imóvel e nós devemos procurar ter uma vida normal. Se todo mundo ficar preocupado e ficar com medo, aí é que vai criar um problema econômico, porque as pessoas vão deixar de consumir e vão reduzir o nível de atividade", afirmou. Mantega ressaltou que o governo "não vai salvar nenhuma empresa" de perdas com operações no mercado financeiro, mas ponderou que irá garantir crédito para as companhias. "As empresas que ousaram no mercado futuro têm que pagar o preço de sua ousadia e não será o governo que vai cobrir isso. Agora, o governo tem obrigação de dar crédito e liquidez a valores de mercado", disse o ministro. Na sexta-feira, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que o banco de fomento iria ajudar empresas que tiveram problemas com derivativos cambiais. (Edição de Renato Andrade e Vanessa Stelzer)

CARMEN MUNARI, REUTERS

27 de outubro de 2008 | 14h52

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