, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2010 | 00h00

As necessidades agrícolas e as manobras políticas de um regime ditatorial foram responsáveis pelo grande mico ambiental da União Soviética. O protagonista desta trama é o Mar de Aral, localizado entre o Casaquistão e o Usbequistão, na Ásia Central. Ele já foi o quarto maior lago do mundo, mas hoje tem um terço de seu tamanho original e perdeu 80% do seu volume de água.

Em 1920, o governo soviético decidiu desviar água dos dois rios afluentes do Mar de Aral para irrigar plantações de arroz, cereais, melão e algodão. "O solo da região tinha fertilidade alta e era plano, o que tornava fácil o uso de maquinário. Então, a grande dificuldade para desenvolver a agricultura era mesmo a água", explica o biólogo Flavio Schlittler, que estuda impactos em ecossistemas no Departamento de Ecologia da Unesp de Rio Claro. Tanto que, após o desvio das águas, o Usbequistão tornou-se o terceiro maior exportador de algodão do mundo.

O sonho acabou quando a péssima execução das obras começou a cobrar seu preço e o Aral foi secando. Enquanto a União Soviética jogava a culpa da desertificação em um fenômeno climático natural, os canais mal construídos geravam 75% de perda da água, por vazamento e evaporação. De 1961 a 1970, o Aral baixou 20 cm por ano, média que em 1990 já era 350% maior. O nível de sal da água ficou cinco vezes mais alto, prejudicando a fauna e acabando com a pesca, que empregava 40 mil pessoas. Hoje há navios pesqueiros abandonados no solo desértico onde antes funcionavam portos e a pouca água que restou foi poluída pelo uso de químicos na agricultura.

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