Maracanã: quatro feridos em confronto

Professor foi atingido no olho por bala de borracha

MARCELO GOMES E FÁBIO GRELLET, Agência Estado

01 de julho de 2013 | 20h44

RIO - O protesto que terminou em pancadaria nas imediações do Maracanã, na zona norte do Rio, nesse domingo, 30, à noite, deixou ao menos quatro feridos, entre eles três policiais militares que foram medicados e liberados. Um deles sofreu queimadura na perna, causada por um coquetel molotov, e dois foram feridos por pedradas na cabeça. O professor da rede estadual Hamilton Moraes foi atingido no olho por uma bala de borracha.

"Sou de Angra dos Reis (litoral sul fluminense) e vim participar da passeata de forma pacífica. Saímos da Praça Saens Peña e na Rua São Francisco Xavier a polícia barrou a manifestação. Para dispersar a multidão, começou a disparar gás de pimenta e bombas de efeito moral. Uma das bombas infelizmente me acertou. Vim pedir por uma sociedade mais justa, uma escola com melhor tratamento para as crianças, melhor salário para os professores e é isso que recebo", disse Moraes em vídeo publicado na internet com o rosto ainda ensanguentado.

A Prefeitura do Rio informou que não há registro de feridos na manifestação que tenham sido atendidos em unidades de saúde municipais.

Já o Corpo de Bombeiros informou que, devido a problemas em seu sistema de dados, as informações sobre atendimentos feitos no hospital de campanha da corporação montado no Maracanã não haviam sido compiladas até o fim da tarde de segunda-feira, 1. Dois torcedores que estavam no Maracanã, onde o Brasil derrotou a Espanha na final da Copa das Confederações,  precisaram ser encaminhados ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro, um com trauma no tórax e outro com dores no peito.

Um homem que participava do ato foi preso momentos após furtar uma máquina fotográfica de um jornalista japonês que cobria o protesto na Rua São Francisco Xavier. Fabiano Melo Aguiar de Souza, de 27 anos, foi levado à 18ª DP (Praça da Bandeira) e encaminhado ao sistema prisional.

A PM também deteve oito cambistas, que foram liberados após prestar depoimento.

Coquetéis. Policiais do Batalhão de Choque apreenderam 17 coquetéis molotov, abandonados na Rua Paula Brito por vândalos infiltrados entre os manifestantes. Dentro do estádio foram registrados dois casos de lesão corporal e duas tentativas de invasão ao gramado. A delegacia móvel montada pela Polícia Civil nas proximidades do estádio registrou 26 ocorrências. Além dos oito cambistas detidos houve 16 casos de furto de ingressos e dois de venda de produtos piratas, como camisas da seleção brasileira.

Agentes da prefeitura multaram 141 veículos e rebocaram outros 101 por estacionamento irregular. No combate ao comércio ambulante não autorizado foram apreendidos mais de 2.600 itens, entre bandeiras, peças de vestuário, faixas, capas de chuva, biscoitos, doces e bebidas. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana removeu 1,3 tonelada de resíduos de toda a área em volta do Maracanã após o jogo.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Marcelo Chalreo, a ação policial para dispersar os manifestantes começou adequada, mas depois se tornou desproporcional. Ele acompanhou pessoalmente o ato. "No começo a PM agiu de maneira correta, mas depois os exageros se repetiram. Dá a impressão de que a polícia não tem comando nem um padrão de conduta para esses momentos. A partir de um certo momento cada PM age como quer", relatou. "É preciso reconhecer que a polícia se esforça para melhorar seu procedimento, mas ainda age com violência, de forma desproporcional. Atira acima da linha da cintura, atinge pessoas que estão protestando pacificamente, ataca grupos que já estão se dispersando. O comando tem que responder por isso", avaliou.

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