Marcha da Maconha em SP é vetada por desembargador

Na 4ª, Tribunal de Justiça havia negado o pedido do MP para proibir o evento, marcado para às 14h de domingo

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

03 de maio de 2008 | 19h52

A Marcha da Maconha, prevista para acontecer a partir das 14 horas deste domingo, 4, foi proibida mais uma vez em São Paulo. A decisão foi tomada pelo desembargador Ricardo Tucunduva. O evento aconteceria no Parque do Ibirapuera, na zona sul. O evento, que aconteceria em oito capitais, também foi proibido no Rio de Janeiro e em Salvador.   "Por decisão do Desembargador Ricardo Tucunduva, acatando mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público, fica proibido o movimento Marcha para a Maconha", publicou em nota a Polícia Militar de São Paulo. Ainda segundo a nota, a PM pede que as pessoas que pretendiam participar da marcha evitem o local. A Marcha da Maconha estava prevista para ocorrer em pelo menos dez capitais brasileiras no domingo.   No Rio, o Tribunal de Justiça acolheu pedido do Ministério Público Estadual e cancelou no início da noite deste sábado a Marcha da Maconha. A manifestação também estava marcada para às 14 horas e iria do Arpoador até o Posto 9, em Ipanema. O procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, entrou com ação contra o evento após uma representação encaminhada pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).   "Não se trata de censura ao debate necessário sobre o melhor tratamento jurídico que se deva dar ao uso da maconha. O debate deve ser feito nos meios acadêmicos e nas casas legislativas e não em praça pública, já que os seus participantes podem estar, em tese, cometendo o crime de induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido da droga." Estes foram alguns dos argumentos do deputado na representação.   Para Renato Cinco, organizador da marcha no Rio, a medida "não condiz com o espírito democrático". "Se pode ter marcha pela legalização do aborto, pela pena de morte, por que não pode para discutir a lei das drogas neste país?" Renato, porém, fez um alerta para quem pretendia ir ao evento. "Quero orientar essas pessoas para que não compareçam ao local, a fim de não caracterizar uma desobediência à decisão judicial."   Proibições   Na quarta-feira, 30, o Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo tinha negado o pedido de liminar do Ministério Público de São Paulo que pretendia proibir a realização da Marcha da Maconha. O promotor Marcelo Luiz Barone entrou na Justiça com ação cautelar para impedir o evento.   A passeata é organizada pelo Movimento Nacional pela Legalização das Drogas. Os organizadores negam que o objetivo da marcha seja fazer apologia à droga. O Ministério Público vai recorrer. O evento também deve ser realizado em outras oito capitais brasileiras.   Em Salvador, onde também iria acontecer a marcha, a juíza Rosemunda Souza Barreto vetou a passeata, marcada para acontecer na Praça Campo Grande.   Texto alterado às 20h17 para acréscimo de informações.

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