Margens melhores nos EUA beneficiarão JBS no 2o semestre-diretor

Margens melhores na divisão de bovinos do JBS nos Estados Unidos devem contribuir para um desempenho operacional da companhia superior no segundo semestre, disse o diretor de relações com investidores da companhia nesta quarta-feira.

Reuters

15 de agosto de 2012 | 14h24

"A indústria dos EUA está se disciplinando, se ajustando, e com preços médios mais altos, as margens devem aumentar", afirmou Jeremiah O´Callaghan, em entrevista à Reuters.

Para O´Callaghan, o alto nível do preço da matéria-prima tende a ceder gradativamente, a partir da maior oferta de animais, contribuindo para melhora das margens nos Estados Unidos, que responde pela maior parte da receita da empresa entre todas as divisões.

O JBS apontou um recuo de 4 por cento no preço médio do gado nos últimos três meses em relação ao primeiro trimestre do ano, movimento mais acentuado em junho.

O executivo observou que a área de bovinos dos EUA deverá gerar entre 16 bilhões e 17 bilhões de dólares, em comparação aos 10 bilhões de dólares do Mercosul neste ano.

Em termos de geração de caixa Ebitda, referente ao desempenho operacional da companhia, a participação do Mercosul é relativamente mais significativa, porque gira em torno de dois dígitos.

Mesmo assim, os EUA terão papel importante no desempenho da JBS no próximo trimestre com margens devendo ficar entre 3 e 5 por cento, conforme estimativa apontada mais cedo em teleconferência nesta manhã.

O´Callaghan afirmou ainda que os EUA contam com importantes mercados, como Canadá, Coreia do Sul, México e Japão, que compram volumes significativos.

O analista do Banco do Brasil, Henrique Koch, pondera que o cenário de oferta de animais nos Estados Unidos não é tão favorável como no Brasil, onde a disponibilidade para abate é crescente, mas mesmo assim a expectativa que se tem é de menor preço da arroba e melhora da demanda local.

"Os EUA terão papel importante no segundo semestre nas margens, ainda mais se considerarmos o cenário para suínos e aves", disse Koch, lembrando que a alta dos grãos terão impacto mais acentuado nestes dois últimos segmentos.

Em relatório ao mercado, analistas do HSBC também ressaltam que a divisão de carne bovina dos EUA será essencial para os resultados do segundo semestre.

"Esperamos uma recuperação das margens de equilíbrio, do patamar de cerca de 3 por cento, para que auxiliem na compensação da fragilidade do setor de aves", apontou o HSBC.

A seca nos Estados Unidos levou os preços de grãos a atingirem altas recordes na bolsa de Chicago, o que deve puxar os custos de produção.

Wesley Batista, o presidente do JBS, disse na teleconferência que será necessário repassar parte dos custos maiores para compensar a alta dos insumos. Isso tanto no Brasil como os EUA.

Na terça-feira, Brasil Foods e Marfrig indicaram que terão de reajustar preços para compensar os custos maiores.

CRÉDITOS FISCAIS

Para aliviar o aumento da necessidade de geração de caixa, por conta da expansão da capacidade no Brasil, a empresa espera contar com a recuperação de créditos fiscais.

O presidente da JBS estimou em teleconferência que será possível recuperar cerca de 500 milhões de reais em saldo de ICMS.

Embora dependa do governo, o diretor de RI explica que isso deve ocorrer com mais facilidade neste ano, por conta de uma mudança na regulamentação no Estado de São Paulo, que pode facilitar a liberação destes créditos fiscais.

"Tínhamos a estimativa de utilizar mais créditos tributários no segundo trimestre. Devemos transformar crédito em caixa de forma mais expressiva terceiro e quarto trimestres", afirmou Batista na conferência.

(Reportagem Fabíola Gomes)

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