Margens nos EUA e Mercosul beneficiarão JBS no semestre

Margens melhores na divisão de bovinos nos Estados Unidos e o bom desempenho do Mercosul deverão contribuir para um resultado operacional superior do JBS neste semestre, compensando as áreas de aves e suínos, que sofrem impacto maior da alta dos grãos.

FABÍOLA GOMES, Reuters

15 de agosto de 2012 | 17h01

"Vamos ter sólidos resultados nos próximos anos, e que serão sustentáveis devido ao ciclo de baixa (no preço) do gado, ao câmbio (valorização do dólar) e da melhor utilização da capacidade instalada", afirmou o presidente do JBS, Wesley Batista, em teleconferência para detalhar resultados do segundo trimestre.

A maior processadora de proteína animal do mundo registrou lucro líquido de 169,5 milhões de reais no segundo trimestre, revertendo prejuízo no mesmo período do ano anterior, com a expansão no Brasil e o aumento da receita nos EUA. O resultado superou a estimativa do mercado.

Somados os dois trimestres de 2012, a companhia teve receita de 34,5 bilhões de reais, 17,7 por cento maior versus igual período de 2011, e caminha para uma receita recorde de 70 bilhões de reais neste ano, ante 62 bilhões de reais no ano passado.

No Mercosul, a companhia trabalha com um cenário favorável especialmente para o Brasil, depois da expansão realizada recentemente, quando foram agregadas dez unidades de bovinos no Brasil, com capacidade de abate de 2 milhões de cabeças/ano.

Ele observou que a localização das plantas de bovinos tem favorecido a companhia, que conta com unidades nos maiores Estados produtores do país --Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia e Pará, entre outros.

O JBS espera ver um aumento do volume exportado de carne bovina do Brasil, mas o preço em dólar pode ceder um pouco, após a desvalorização mais expressiva do real.

Depois de operar em alta no início do pregão, as ações da companhia operavam em baixa de 1,4 por cento às 16h42, enquanto o Ibovespa tinha alta de 0,14 por cento.

ESTADOS UNIDOS

O diretor de RI observa que a divisão de carne bovina dos Estados Unidos deverá gerar receita entre 16 bilhões e 17 bilhões de dólares, em comparação aos 10 bilhões de dólares do Mercosul neste ano.

"A indústria dos EUA está se disciplinando, se ajustando, e com preços médios mais altos, as margens devem aumentar", afirmou Jeremiah O´Callaghan, diretor de relações com investidores, em entrevista à Reuters após a teleconferência.

Para O´Callaghan, o alto nível do preço da matéria-prima tende a ceder gradativamente, a partir da maior oferta de animais, contribuindo para melhora das margens nos Estados Unidos, que responde pela maior parte da receita da empresa entre todas as divisões.

O JBS apontou um recuo de 4 por cento no preço médio do gado nos últimos três meses em relação ao primeiro trimestre do ano, movimento mais acentuado em junho.

Em termos de geração de caixa Ebitda, referente ao desempenho operacional da companhia, a participação do Mercosul é relativamente mais significativa, porque gira em torno de dois dígitos.

Mesmo assim, os EUA terão papel importante no desempenho da JBS no próximo trimestre com margens devendo ficar entre 3 e 5 por cento, conforme estimativa apontada em teleconferência nesta manhã.

O´Callaghan afirmou ainda que os EUA contam com importantes mercados, como Canadá, Coreia do Sul, México e Japão, que compram volumes significativos.

PAPEL IMPORTANTE

O analista do Banco do Brasil, Henrique Koch, pondera que o cenário de oferta de animais nos Estados Unidos não é tão favorável como no Brasil, onde a disponibilidade para abate é crescente, mas mesmo assim a expectativa que se tem é de menor preço da arroba e melhora da demanda local.

"Os EUA terão papel importante no segundo semestre nas margens, ainda mais se considerarmos o cenário para suínos e aves", disse Koch, lembrando que a alta dos grãos terão impacto mais acentuado nestes dois últimos segmentos.

Em relatório ao mercado, analistas do HSBC também ressaltam que a divisão de carne bovina dos EUA será essencial para os resultados do segundo semestre.

"Esperamos uma recuperação das margens de equilíbrio, do patamar de cerca de 3 por cento, para que auxiliem na compensação da fragilidade do setor de aves", apontou o HSBC.

A seca nos Estados Unidos levou os preços de grãos a atingirem altas recordes na bolsa de Chicago, o que deve puxar os custos de produção.

Wesley Batista, o presidente do JBS, disse na teleconferência que será necessário repassar parte dos custos maiores para compensar a alta dos insumos. Isso tanto no Brasil como os EUA.

Na terça-feira, Brasil Foods e Marfrig indicaram que terão de reajustar preços para compensar os custos maiores.

(Reportagem Fabíola Gomes)

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