Marginal só terá obra anticheia após o verão

Os motoristas ainda correm o risco de enfrentar alagamentos na Marginal do Tietê durante as chuvas fortes de verão, que começa no próximo dia 21. Embora o governo do Estado já tenha dado início à construção de seis pôlderes - drenos gigantes - sob algumas pontes da via, a maior parte deles deve ficar pronta somente no segundo semestre de 2013.

CAIO DO VALLE, Agência Estado

11 Dezembro 2012 | 10h37

Esses equipamentos elevarão em 20% a capacidade de vazão máxima do Rio Tietê, segundo a Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, reduzindo casos de transbordamento. As estruturas ficarão sob as pontes do Limão (que terá um pôlder), Vila Maria (dois), Vila Guilherme (um) e Aricanduva (dois), pontos baixos que estão entre os que enchem d?água na marginal. Também será feito um dique, tipo de muro de contenção, ao lado do rio. As intervenções custarão R$ 57,7 milhões.

Cada pôlder terá um pequeno reservatório e um conjunto de bombas para sugar poças que se formam na pista. Porém, só um deles, o da margem da Ponte da Vila Maria no sentido Rodovia Castelo Branco, será entregue a tempo de lidar com altos índices pluviométricas, em janeiro. Os demais saem até setembro.

Os prazos foram divulgados na segunda-feira (10) pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que destacou ações de combate aos transbordamentos do Tietê. Uma delas é o desassoreamento do rio: entre o ano passado e 2012, 5,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados, fazendo com que a capacidade de vazão voltasse ao patamar obtido após a obra de rebaixamento da calha, na década passada. Outra medida se refere à limpeza de 30 piscinões da região metropolitana.

Devido a isso, Alckmin disse que a cidade vai "enfrentar o verão em uma situação muito melhor". Ainda de acordo com ele, nenhuma intervenção elimina integralmente a possibilidade de alagamentos. "Não sou engenheiro, mas aprendi que não existe obra 100% contra enchentes."

O secretário estadual de Saneamento e Recursos, Edson Giriboni, afirmou que a construção dos pôlderes começaram no meio do ano e que houve problemas no licenciamento ambiental. Sobre a escolha das quatro pontes para os pôlderes, ele disse que os pontos baixos delas inundam primeiro quando o Tietê atinge seu maior nível. A Ponte das Bandeiras já conta com bombas para a remoção de água.

Gambiarra

Mas para o especialista em Hidráulica e Saneamento Julio Cerqueira Cesar Neto, engenheiro e professor aposentado da Escola Politécnica (Poli-USP), as obras precisariam ter saído muito antes do papel. "O governo deveria ter começado em fevereiro, e não no fim do ano. Isso demonstra que não há preocupação com o problema."

Fazer pôlderes, segundo ele, é um paliativo. "É uma espécie de gambiarra. Para resolver o problema há duas alternativas: ampliar a calha novamente e fazer túnel para jogar o excesso de água de volta no Tietê após Santana de Parnaíba ou mesmo no oceano, descendo a serra."

O meteorologista Michael Pantera, do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), da Prefeitura, diz que o verão na cidade deve ser chuvoso, mas não acima da média. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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