Maria da Fé já tem 60 mil plantas

Quatro agricultores já estão com pomares formados no município.[br]Expectativa é colher 25 quilos por pé

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2009 | 07h03

De olho no potencial do mercado, quatro agricultores já aderiram à proposta de tornar Maria da Fé o primeiro polo de produção de azeite do País. Eles plantaram 60 mil pés de oliveira, alguns já no quarto ano, quando as árvores iniciam a produção, com média de 5 quilos por árvore, mais ou menos 25% do seu potencial.

 

O pesquisador Vieira Neto: na fazenda da Epamig, em plena colheita, há 37 variedades de oliveiras

 

"O pico da produção ocorre no sexto ano da cultura, quando pode chegar a 25 quilos por pé. Esse tempo de espera assusta alguns produtores, acostumados ao ciclo rápido da batata", explica Vieira, referindo-se ao fato de o município já ter sido o maior produtor de batata do Estado.  

 

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Segundo ele, a instalação de um pomar de 407 plantas, em 1 hectare, com espaçamento de 6 x 4 metros, custa, no primeiro ano, R$ 10 mil, mais R$ 3 mil/ano em manutenção. Para recuperar o capital investido, o produtor leva sete anos.

Vieira considera que a produção de azeite é a opção tecnicamente mais fácil e rentável, pois a utilização da azeitona para conserva exige tratos culturais mais intensivos para obter frutos sem defeitos e com aparência atrativa para o consumidor. "São necessárias mais pulverizações e variedades adequadas, além de ter o domínio das técnicas de conserva", diz.

Ponto ideal

A azeitona in natura, além de amarga, é muito dura e seu processamento para azeite é imediato, devendo o fruto estar no ponto ideal de maturação, diferentemente da conserva, que chega a 90 dias, se for feita em salmoura, de forma mais natural. Esse tempo pode ser reduzido para 24 horas, se o processo for feito com hidróxido de sódio, exigindo uma agroindústria e pessoal treinado.

O maior produtor de azeitonas de Maria da Fé é o empresário Joaquim de Oliveira, que plantou na Fazenda Retiro, adquirida para essa finalidade, 50 mil pés de oliveira e tem outras 25 mil em Delfim Moreira. Não bastasse seu sobrenome, ele conhece o assunto. Nasceu em Portugal, país de grande tradição na produção de azeite, e trabalha com a importação desses produtos.

Proprietário da empresa Oli Ma, segunda principal distribuidora de azeites no Brasil, em Itaquaquecetuba (SP), Oliveira investiu R$ 5 milhões na compra de terras, plantio de mudas e na instalação de uma fábrica para extrair azeite.

As primeiras mudas foram compradas da Epamig, mas agora ele tem seu próprio viveiro, onde produz suas mudas e vende o excedente. "Em 2008 vendemos 31 mil mudas e já temos mais 40 mil prontas para a venda", diz Oliveira.

No fim de 2009, o empresário deve receber uma máquina encomendada na Itália, pois no Brasil ainda não existe maquinário para extração de azeite, e, na próxima safra, espera colher 70 toneladas de azeitonas, que poderão produzir 15 toneladas de azeite. "Fomos plantando por fase, por isso, ano a ano, a produção deve aumentar", afirma o produtor.  

 

Cultivo também em outros Estados  

 

As oliveiras foram introduzidas no sul de Minas na década de 50, por um imigrante português. Só de uma década para cá o material começou a ser melhorado em Maria da Fé e deu origem à variedade de mesmo nome. "Quando entrei aqui, como estagiário, já tinha um banco de germoplasma, mas o assunto não tinha a importância que tem hoje", conta o técnico agrícola José Eduardo Souza Gomes, que trabalha na fazenda há mais de 30 anos. Em 1980, uma empresa de Delfim Moreira encomendou à fazenda 50 mil enxertos, mas levou apenas 25 mil e depois não retornou para pegar o restante. "Não sei o que aconteceu", afirma Souza. A empresa deu nome a uma das variedades desenvolvidas na fazenda, a JB. Além disso, algumas regiões de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da Bahia, já possuem plantios de oliveiras. Ainda em São Paulo, Cunha e Casa Branca também estão entrando no negócio.

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