Marina cobra Senado para que não aceite o novo Código Florestal

Em evento no Rio, a ex-ministra diz que a presidente Dilma terá de vetar o texto se ele for referendado

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2011 | 00h00

No lançamento do Comitê Rio em Defesa das Florestas, ontem, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva cobrou responsabilidade da base do governo no Senado para que não referende as mudanças no Código Florestal aprovadas pela Câmara em maio. Segundo ela, a manutenção do texto do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) forçará a presidente a vetar o projeto.

"Se não mudarem esse texto, vamos ter de fazer uma campanha para que a presidente vete. Ela prometeu no segundo turno que vetaria qualquer projeto que significasse aumento de desmatamento e anistia para desmatadores. Se não vetar, vai ficar contra os 80% da população que, segundo pesquisa Datafolha, não quer esse texto. Se vetar, vai ficar contra 80% do Congresso Nacional, que votou esse texto. É uma situação difícil", atestou.

Marina fez analogia entre o movimento contra a corrupção, que promoveu protestos no feriado, e a luta contra o novo Código. "Se é desvio de dinheiro público, a população entende e se mobiliza. Mas, quando se trata de desvios no patrimônio público natural, é mais difícil."

Sucessor de Marina no ministério e atual secretário de Ambiente do Rio, Carlos Minc (PT) citou três pontos do novo Código considerados mais preocupantes: anistia irrestrita a desmatadores, descentralização para que os Estados criem seus próprios Códigos e autorização para que topos dos morros e encostas sejam ocupados para atividades econômicas, como pecuária.

O lançamento do comitê fluminense reuniu cerca de 200 pessoas no Teatro Tom Jobim, na manhã de ontem.

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