Marina rebate Dilma e diz que autonomia do BC é para preservar empregos

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, disse nesta quarta-feira que a institucionalização da autonomia do Banco Central defendida por ela terá como objetivo em um eventual governo seu a retomada da credibilidade para que o Brasil volte a crescer e a preservação do emprego.

REUTERS

10 Setembro 2014 | 13h44

Visivelmente incomodada com a campanha negativa feita pela candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), Marina disse que seus adversários --PT e PSDB-- têm atuado apenas para "desconstruir" suas propostas acrescentando que os advogados da campanha tomarão as providências contra o que chamou de "mentiras" e "calúnias".

"Banco Central autônomo é para controlar a inflação, conquistar credibilidade para o Brasil voltar a crescer e preservar o emprego", disse Marina a jornalistas após visitar uma casa que dá atendimento a vítimas de violência doméstica na zona leste de São Paulo.

A candidata respondia a um anúncio da campanha de Dilma que afirma que a autonomia do BC defendida por Marina entregaria aos "banqueiros" decisões como taxa de juros, emprego e salários. O anúncio mostra um grupo de homens engravatados sorrindo em uma sala em contraste com uma família à mesa de jantar, que vai ficando cada vez mais preocupada com o que poderia acontecer.

A coligação encabeçada pelo PSB entrou junto ao Tribunal Superior Eleitoral com dois pedidos de direito de resposta contra a campanha petista: um por conta do anúncio sobre a autonomia do BC e outro que afirma que Marina reduziria os investimentos no pré-sal, o que foi novamente negado nesta quarta pela candidata do PSB.

Marina reclamou ainda das perguntas dos jornalistas em busca de respostas dela aos ataques da campanha do PT e voltou a cobrar que Dilma e o candidato do PSDB, Aécio Neves, apresentem seus programas de governo, como ela fez no último dia 29.

"Gostaria muito que os nossos adversários estivessem fazendo o mesmo que nós, tivessem apresentado um programa de governo para ser debatido", disse Marina.

"Cada um que pega o nosso programa de governo é para desqualificar", reclamou.

Marina pediu que a sociedade que quer mudanças, que segundo ela é representado pelo seu projeto, defenda sua candidatura nas redes sociais. Questionada se sentia-se injustiçada pela imprensa, a candidata do PSB não respondeu diretamente, mas disse que os jornalistas poderiam ajudar a esclarecer o eleitorado.

"Eu me sinto injustiçada pelas mentiras e pelos boatos que estão sendo feitos. E a imprensa pode ajudar. É só verificar o nosso programa de governo e dizer 'estão dizendo que vai acabar com o Bolsa Família, mas aqui está dizendo que vai manter o Bolsa Família'" , disse.

"Não vejo em que a verdade possa prejudicar, só vejo como pode ajudar."

Marina disse ainda que a visita que fez à entidade que fornece atendimento psicológico a vítimas de violência doméstica foi mais uma das "visitas técnicas" que realizou com o objetivo de conhecer "experiências bem-sucedidas que possam ser transformadas em políticas públicas" caso ela vença a eleição em outubro.

(Reportagem de Eduardo Simões)

Mais conteúdo sobre:
ELEICOES2014MARINABCAUTONOMIA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.