Marzagão quer reduzir permanência de drogas nas delegacias

Secretário de Segurança do Estado visitou local onde ficava delegacia de entorpecentes de Botucatu

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2008 | 17h50

O secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, disse nesta terça-feira, 11, em Botucatu, que vai discutir com a Justiça e o Ministério Público medidas para reduzir o tempo de permanência de drogas e armas apreendidas em unidades policiais. A Secretaria também vai reforçar a segurança nessas unidades. Veja também:Polícia suspeita do PCC no ataque a delegacia em BotucatuPrefeito acha assustadora ação de bandidos em Botucatu Na segunda-feira, criminosos invadiram a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) da cidade, roubaram drogas, armas e munição e explodiram o prédio. Segundo Marzagão, a lei determina que as provas materiais dos crimes sejam mantidas à disposição da Justiça até o encerramento do processo. Já se discute, no entanto, a possibilidade de guardar apenas amostras do material e, no caso das armas, mantê-las sob a custódia do Exército.  O secretário pretende acelerar essa discussão. Ele acredita que o bando invadiu a delegacia de Botucatu porque sabia da existência de armas e drogas. A unidade funcionava durante o dia e apenas ocasionalmente havia operações à noite e de madrugada. A central de alarme foi desligada pelos bandidos. Marzagão reconheceu que a unidade era vulnerável e vai rever as medidas de segurança. As mudanças serão válidas para todo o Estado. Ele disse que a identificação e a prisão dos criminosos é só uma questão de tempo. "Estamos todos empenhados nisso." Marzagão esteve na cidade para dar apoio às investigações e providenciar a retomada das atividades da delegacia. O secretário inspecionou os trabalhos de remoção dos entulhos do prédio, iniciados pela prefeitura local. As paredes que ainda estavam em pé foram demolidas. Para Marzagão, o atentado contra a delegacia foi uma resposta à ação da Dise, que efetuou muitas prisões e grandes apreensões de drogas e armas. "O trabalho da polícia vai continuar até com maior intensidade." Acompanhado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Maurício Lemos Freire, o secretário reuniu-se durante cerca de duas horas com os delegados da cidade e do Deinter-7 de Sorocaba. Com base nas informações recebidas, ele disse que não há evidências de tratar-se de uma ação do crime organizado, mas essa hipótese também será investigada. Os peritos do Instituto de Criminalística não encontraram vestígios de explosivos no local. Eles acreditam que os invasores espalharam gasolina para incendiar o prédio e não contavam com a explosão. Isso explicaria porque a caminhoneta usada na fuga também foi atingida pelos destroços da casa. A polícia acredita ter conseguido imagens da fuga dos bandidos, feitas a partir da câmera de uma empresa instalada no trajeto. O vídeo mostra uma picape de cor escura em alta velocidade, na contramão, com os faróis acesos. O delegado seccional Tadeu de Castro informou que, dos seis inquéritos atingidos pelo fogo, dois foram recuperados. Móveis e documentos retirados dos escombros foram levados para uma sala do Ginásio de Esportes, até que seja providenciado um novo prédio para a delegacia. Botucatu, com 130 mil habitantes, não é considerada uma cidade violenta. No ano passado, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes foi de 5,83, enquanto a capital registrou 14,20. A taxa de roubos foi de 112,53 - São Paulo registrou 1.005,16 -, e a de furto de veículos, 186,70 - na capital, a taxa foi de 724,34.

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