Material era discutido desde sábado na rede

Estudantes registraram estranheza com as questões distribuídas a jovens de Fortaleza, que agora reclamam por ter de refazer exame

CEDÊ SILVA / ESTADÃO.EDU, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2011 | 09h29

Na internet, o material do Colégio Christus, de Fortaleza, com questões idênticas às do Enem já era discutido por estudantes desde sábado. Uma aluna de cursinho escreveu no Facebook: "Materialzinho do Christus denominado: 'questões selecionadas' com oito questões com o mesmo enunciado e os mesmos itens da prova? No mínimo, estranho... palhaçada".

Mais adiante, respondendo a comentários de amigos, a aluna comentou: "Pior é que eles fizeram questão de divulgar o material sem as fontes... Não tem nenhuma menção ao colégio nos livrinhos! Já tratei de decorar os gabaritos dos de amanhã, vai que coincidências voltam a acontecer". Ela não está matriculada no Christus, mas diz ter obtido o material com uma prima.

No domingo, dia das provas de linguagens, matemática e redação, a mesma estudante escreveu: "Saldo das provas de hoje: mais quatro questões de matemática e uma de português completamente iguais ao materialzinho do Christus". Outra pessoa comenta: "Acesso à prova bem antes da aplicação! Isso vai dar uma confusão!". À noite, outra moça acrescentou: "É, tem de ver isso aí..."

 

Segundo o estudante Yago Andrade, de 18 anos, alunos do Christus receberam CDs durante a preparação para a prova, todos com a logomarca da escola. Já os cadernos que continham as questões idênticas às do Enem não trazem data ou logomarca.

Yago, que está no 3.º ano do Colégio 7 de Setembro, de Fortaleza, afirma que os alunos do Christus receberam instruções para não falar sobre o material. Ele reclama que, como alunos de outras escolas também tiveram acesso às questões, cancelar a prova apenas para alunos do Christus não seria justo.

Em nota divulgada ontem, o colégio afirmou que seu banco de questões "pode ser integrado também por sugestões dos alunos que realizaram o pré-teste".

Injustiça. O suposto vazamento de questões do Enem dominou ontem as conversas na unidade de pré-vestibulares do Colégio Christus. Os alunos disseram ao Estado que receberam há três semanas os quatro cadernos, com 24 questões cada um, que continham algumas questões idênticas às do Enem.

O material, sem identificação do colégio e data, foi entregue por um professor que eles preferiram não identificar. Segundo os estudantes ouvidos, os cadernos não chegaram a ser corrigidos em sala de aula.

Os alunos creem que a coincidência das questões é fruto da dedicação da escola e dos professores. "São questões abertas e aplicadas de maneira recorrente. Estavam no banco de dados do Enem. Não temos culpa se nossos professores se esforçam mais que os das outras escolas. Não podemos ser punidos por isso", disse a estudante Marinna Sá. "Se o MEC não usa questões inéditas, a gente não tem nada a ver com isso."

Para ela, não houve má-fé por parte do colégio. "Não foi só de véspera de prova (a entrega da revisão), como estão dizendo nas redes sociais. São questões pré-testadas, às quais todo mundo tinha acesso. Nenhum colégio tem o direito de desmerecer o nosso trabalho, o trabalho dos nossos professores."

"Acho injusto ter de refazer, mas se essa for a decisão, a gente vai fazer e vai ter sucesso do mesmo jeito", afirmou outra estudante, que pediu para não ser identificada.

Alunos confirmaram que não é comum o colégio distribuir material sem logomarca. Mas disseram não ter estranhado a iniciativa, pois estão habituados a resolver diferentes apostilas, como método de preparação. / COLABOROU CARMEN POMPEU

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