Maternidade de Campinas cadastra doulas

A Maternidade de Campinas decidiu cadastrar neste mês 15 doulas - profissionais que acompanham gestantes antes, durante e depois do parto, oferecendo suporte emocional e físico -, depois de um protesto organizado em novembro contra a restrição ao número de pessoas na sala de cirurgia. Desde agosto, a unidade limitou o número de acompanhantes no parto a uma pessoa, o que restringe, na prática, o trabalho das doulas - medida semelhante foi adotada recentemente por dois hospitais paulistanos.

RICARDO BRANDT, CORRESPONDENTE, Agência Estado

29 de janeiro de 2013 | 09h30

As profissionais que se inscreveram na Maternidade de Campinas passarão por seleção (que incluirá uma prova e um curso) e serão liberadas para atuar dentro da maternidade nos partos humanizados. A decisão, porém, é criticada por mães e profissionais. "A medida é restritiva. Pela proposta, a doula deverá ter carta do obstetra, cinco partos realizados, passar por entrevista, prova e um curso. Essas medidas vão contra o que orienta o Ministério da Saúde", afirma a doula e fisioterapeuta Renata Olah.

"A doula não é uma acompanhante e sim parte da equipe que auxilia no bem-estar da mulher. Muita gente se recusa a reconhecer a gente como profissional", afirma Renata. O Ministério da Saúde, que reconhece o trabalho de parteiras tradicionais e incentiva a participação de doulas nos hospitais públicos, assinou em março um convênio com a Universidade de Brasília para o programa Doulas no SUS, de formação das profissionais.

Polêmica

Na semana passada, o tema voltou a causar polêmica depois que dois hospitais de São Paulo (Hospital e Maternidade Santa Joana e a Maternidade Pro Matre) limitaram o número de acompanhantes no parto para uma pessoa. Em protesto, doulas e mães organizam uma manifestação na Avenida Paulista (mais informações nesta pág.). Em Campinas, a Maternidade - maior unidade da rede pública da cidade - informou que tomou a medida para regulamentar a atuação da doula durante todo o processo do parto, dentro das normas e rotinas da instituição.

O processo seletivo será realizado até duas vezes por ano. Para participar, as mulheres devem ter no mínimo 18 anos. Entre os documentos exigidos estão certificado de capacitação de doula com carga horária mínima de 32 horas, CPF, RG, uma carta de indicação de um médico e comprovantes do acompanhamento de, no mínimo, cinco partos.

A funcionária pública Priscila Kojo, de 34 anos, está prestes a dar à luz na Maternidade de Campinas. "Optei pelo parto normal e quero contar com a doula e com o meu marido. Cada um me dará uma assistência diferente. Não acho correto excluir a doula." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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