Mau tempo já afeta navio que lembra o Titanic

Ventos atrasaram chegada do Balmoral a Cobh, último porto do navio que naufragou há 100 anos

Com agências AP, Efe e Reuters,

10 Abril 2012 | 03h02

Mau tempo e ventos fortes já atrapalham o navio de cruzeiro que desde anteontem refaz a viagem do Titanic, que no dia 15 completa cem anos de naufrágio. O navio Balmoral chegou ontem a Cobh, uma cidade no sul da Irlanda que antigamente se chamava Queenstown e foi o último porto do Titanic, com duas horas de atraso.

O barco, com 1.309 passageiros - alguns deles parentes das mais de 1,5 mil pessoas que morreram no desastre -, deixaria Cobh ontem à noite, em direção ao local onde o Titanic atingiu um iceberg e afundou. A viagem tem a previsão de durar 12 dias.

Um dos familiares das vítimas que refaz o percurso é o mexicano Antonio Uruchurtu, sobrinho-bisneto de Manuel Uruchurtu, um político que viajava na primeira classe e morreu porque cedeu seu lugar no bote salva-vidas para uma passageira da segunda classe com um bebê.

"Sua história serve para resgatar valores. Antigamente, pais e avôs eram cavalheiros e a valentia, o respeito à mulher e a lealdade valiam mais que a própria vida", disse o descendente.

Dos passageiros de primeira classe, 62,3% foram salvos da morte; na segunda classe, o porcentual cai para 42%; na terceira classe, para 24,2%; e entre a tripulação, para apenas 23,7%.

Memória. Cerca de 200 mil documentos, como fotos e listas de passageiros e de tripulantes do Titanic, foram publicados ontem em um site britânico especializado em genealogia. A página ancestry.co.uk também permite ler o testamento do capitão do navio, Edward Smith, e de dois importantes homens de negócios, Benjamin Guggenheim e John Jacob Astor, que morreram no desastre. O conteúdo é oferecido gratuitamente até o dia 31 de maio.

A cidade portuária de Halifax, no Canadá, também lembra a tragédia, já que de lá foram enviados navios para resgatar os corpos. A cidade transformou um rinque de patinação no gelo em necrotério e abrigou cerca de 150 cadáveres em 3 cemitérios. "O Titanic foi construído em Belfast, afundou no Atlântico e foi enterrado aqui", disse o escritor Alan Ruffman, residente da cidade.

Hoje, Halifax abriga mais de 20 locais ligados a esforços de recuperação. Com cerca de 300 mil habitantes, a cidade prepara concertos, saraus literários e outros eventos - como menus temáticos em restaurantes - para marcar o evento.

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