McCain e Obama tentam redesenhar mapa político dos EUA

A possível disputa entre orepublicano John McCain e o democrata Barack Obama nas eleiçõespresidenciais de novembro pode chacoalhar o mapa político dosEstados Unidos, colocando novos Estados em foco e embaralhandoas fichas em lugares tradicionalmente estratégicos, comoFlórida e Ohio. Tanto McCain quanto Obama apostam na sua capacidade deconquistar pelo menos alguns Estados recentemente dominadospelo partido rival. Em geral, os republicanos ganham no sul eno "interiorzão" dos EUA, enquanto os democratas se saem melhornos Estados litorâneos e na parte norte do Meio-Oeste. Nesse cenário, alguns poucos "swing states" ("Estadososcilantes" entre um e outro partido) decidem o resultado. Pelosistema norte-americano, com raras exceções, o vencedor de umEstado leva todos os delegados para o colégio eleitoral queafinal escolhe o presidente do país. "Estamos observando um terreno de disputa muito maior eimprevisível do que nos últimos ciclos eleitorais", disse oconsultor republicano Dan Schnur, que trabalhou na frustradacampanha de McCain à Presidência em 2000. "O pessoal de Obama corretamente vê Estados historicamenterepublicano onde eles acham que podem ser competitivos. Masestá bastante claro que Obama também perde terreno para McCainem alguns Estados que no passado eram seguros para osdemocratas", disse ele. O senador Obama, já com a candidatura democratapraticamente assegurada na disputa contra Hillary Clinton,agora volta sua campanha para as eleições gerais. Nas últimassemanas, visitou Estados eleitoralmente importantes, comoMichigan, Flórida, Missouri, Novo México e Colorado. McCain, que resolveu antecipadamente a disputa interna noseu partido, há dois meses se dedica só à eleição geral denovembro. Estrategistas de ambos os lados vasculham pesquisas, listasde eleitores e relatórios demográficos para descobrir em quaisEstados investir mais. O foco, naturalmente, deve ser emEstados grandes e que foram cruciais nas últimas eleições, comoMichigan, Pensilvânia (ambos vencidos pelo democrata John Kerryem 2004), Flórida e Ohio (vencidos pelo republicano George W.Bush). Mas os marqueteiros estarão de olho também em 11 Estadosonde em 2004 houve uma diferença igual ou inferior a 6 pontospercentuais entre os candidatos. Naquela ocasião, Kerry venceuem cinco desses Estados (Michigan, Minnesota, New Hampshire,Oregon, Pensilvânia e Wisconsin). Bush levou cinco -- Colorado,Flórida, Iowa, Nevada e Novo México. SUL E OESTE Obama aposta numa onda de alistamento eleitoral e numcomparecimento expressivo entre jovens e negros, sua principalbase. Os democratas também têm boas perspectivas no oeste, ondeconseguiram acompanhar o crescimento da população hispânica --embora esse eleitorado em geral tenha sido mais refratário aObama. No oeste, o principal alvo democrata serão os Estados deNovo México, Colorado e Nevada, onde Bush obteve vitóriasapertadas. O problema é que, juntos, esses três Estados têmapenas 19 votos no colégio eleitoral, menos que Ohio, Flóridaou Pensilvânia individualmente. Para ser eleito presidente, umcandidato precisa de 270 votos no colégio eleitoral. Obama também espera que um forte comparecimento de negrosno Sul altere o cenário em Estados como a Virgínia, que nasúltimas eleições já pendeu para os democratas. McCain aposta na sua capacidade de seduzir eleitoresindependentes e nas dificuldades de Obama junto ao eleitoradoproletário branco. Espera que isso seja suficiente paraconquistar Estados estratégicos, como Ohio e Pensilvânia. Na Flórida, a combinação dos eleitorados hispânico ejudaico também pode ser um mau prenúncio para Obama. McCain jáfez vários eventos de campanha nesse Estado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.