Me lhama que eu vou

Luiz Horta, BUENOS AIRES,

22 Julho 2010 | 09h49

El Baqueano. Restaurante vai muito além da mera busca do estranho e oferece sabores diversos

 

 

Imaginei que um restaurante que serve jacaré, lhama, aves selvagens e nhandu seria tosco. Não pé-sujo, mas simples, cheio de carnes grelhadas de bichos exóticos e clima de clube de caça mofadão. A surpresa foi dupla e positiva. As carnes são extraordinárias também em sabor, muito além da mera busca do estranho. E o talento do chef Fernando Rivarola é evidente.

 

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O restaurante não explora nem minimamente o exotismo. A esquina discreta de San Telmo esconde, na minha opinião, o melhor restaurante de Buenos Aires, hoje. Rivarola trabalhou alguns anos entre Espanha e Itália, e o tratamento refinado que dá às carnes do país é claramente europeu. Ele nasceu numa cidade periférica da Província de Buenos Aires e comer vizcacha, uma espécie de chinchila selvagem gordota, era trivial na infância. O pai caçava, a mãe preparava. O bichinho aparece com destaque no cardápio. É o último prato salgado no menu de inverno, precedido por um sorbet de chimarrão delicioso e cheio de textura. A construção da refeição é tão harmônica que já no primeiro passo da degustação desaparece a estranheza de comer tais bichos.

 

A comida, a qualidade da execução, a apresentação de cada prato, falam mais alto e some a mera curiosidade. Uma virtude e tanto. Você vai para comer estranhezas, mas sai feliz por ter feito uma refeição de alta gastronomia. O vinho entra sutil no conjunto, pois a excelente carta, cheia de pequenos produtores desconhecidos no Brasil, é feita pela mulher de Fernando, Gabriela Lafuente, que é sommelière experiente.

 

 

Opinião. A esquina discreta de San Telmo talvez esconda o melhor restaurante de Buenos Aires

 

 

Foi bebido ali o melhor vinho da minha viagem (veja na reportagem do Glupt!), um Malbec tão aromático e límpido que tentei comprar todas as garrafas do estoque. Azar que o estoque tinha só a garrafa consumida no almoço. E o que combina com carpaccio de lhama? Jerez. Com rabinho de jacaré com risotto de abóbora? O Traminner Rutini. Com matambre de coelho? Riesling. Com a vizcacha com ragu de cogumelos selvagens? Este foi o amigão do Malbec natural.

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