MEC cogita suspender vestibular de piores escolas de Direito

As faculdades reprovadas têm dez dias para enviar ao ministério um relatório com o diagnóstico dos problemas

Pedro Dantas , Agência Estado

27 de setembro de 2007 | 19h11

O ministro da Educação, Fernando Haddad, levantou a possibilidade de suspensão dos vestibulares nas escolas em pior situação entre os 89 cursos de Direito reprovados no Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade) e afirmou que dependerá "exclusivamente das faculdades" um eventual fechamento.    Lista das 89 instituições com nota baixa no Enade    Lista das 37 instituições de baixo desempenho no Enade e OAB    Enquete: de quem é a culpa?   "Os cursos reprovados vão passar por uma supervisão com provável redução das vagas de ingresso", afirmou. "Nos casos mais dramáticos, o processo seletivo para ingresso na instituição será suspenso."     O levantamento, divulgado nesta quarta-feira, mostrou que 37 faculdades são as piores do País no setor: têm notas ruins no Enade e aprovação baixa no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "Tudo depende de como as instituições responderão às demandas do MEC", declarou.   As faculdades reprovadas têm dez dias para enviar ao Ministério da Educação um relatório com o diagnóstico dos problemas, as providências que serão tomadas e os prazos para solução das deficiências.    Haddad criticou o que considera "explosão de vagas" nas faculdades particulares, em detrimento da qualidade do processo seletivo nas instituições. O Enade revelou, por exemplo, que no Rio de Janeiro a Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas abriu mil vagas em 2006 para o curso de Direito, mas aprovou apenas um aluno no exame anual da OAB.   O cruzamento de dados mostrou que dos 89 cursos de Direito reprovados, 37 tiveram índice de aprovação menor que 10% no exame da OAB. Destes, 12 são de faculdades do Rio de Janeiro, e 17, de São Paulo.  Segundo o ministro, o Enade será aplicado a outros cursos da forma como ocorreu nas faculdades de Direito, cujos resultados foram comparados com a performance dos alunos nos exames de ingresso na OAB.   Os cursos de direito reprovados no exame obtiveram notas 1 e 2, em uma avaliação cuja escala vai de 1 a 5.     "Vamos buscar parcerias com outras entidades classistas para apurar informações sobre o desempenho dos estudantes no momento do ingresso em suas respectivas profissões", afirmou Haddad, referindo-se ao curso de Medicina, que deve ser o próximo a ser avaliado pelo MEC.

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