MEC cria prova para alunos de 7 anos

Objetivo é identificar falhas no processo de alfabetização e tentar corrigi-las a tempo

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 Março 2012 | 03h03

O Ministério da Educação (MEC) criará mais uma avaliação, para crianças de 7 anos. O exame, ainda sem data para começar, quer detectar se esses alunos estão conseguindo aprender a ler. Hoje, 15,2% das crianças no País acabam o período de alfabetização sem saber ler ou escrever.

O dado nacional esconde diferenças enormes entre regiões e Estados. Enquanto em Santa Catarina e no Paraná apenas 5% das crianças não estão alfabetizadas aos 8 anos, no Pará e no Maranhão o índice passa dos 30%. Em São Paulo, a média é de 7,6%.

Apesar de o ensino fundamental ser de responsabilidade dos municípios - e, em menor grau, dos Estados -, o MEC quer acompanhar as crianças para que se cumpra a meta de alfabetizar todos os estudantes até os 8 anos.

"Queremos fazer essa avaliação para que seja possível intervir antes dos 8 anos se o resultado não for bom", disse o ministro Aloizio Mercadante, em reunião da Comissão de Educação na Câmara. "Temos outra prova aos 8 anos. Mas aí, se a criança não se alfabetizou, já teremos uma defasagem que pode terminar no abandono da escola."

O MEC faz, desde 2008, a Provinha Brasil, de alfabetização e matemática para crianças de 8 anos. Mas essa avaliação não é nacional. O material é preparado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inpe), repassado para Estados e municípios e utilizado livremente. O resultado é apenas para uso interno. A ideia inicial, de se fazer uma amostra nacional para que se pudesse avaliar o grau de alfabetização antes de as crianças chegarem à 4.ª série - quando passam pela Prova Brasil -, nunca saiu do papel e o MEC hoje usa dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda não está definido como e se a divulgação desses números será feita. Mercadante, no entanto, quer destacar pelo menos as escolas que estão conseguindo alfabetizar seus alunos. O novo ministro já pegou o programa, chamado de Alfabetização na Idade Certa, quase pronto quando assumiu o cargo, em fevereiro, mas quer incluir algumas mudanças. Uma delas é dar bônus para escolas e professores que atingirem objetivos.

"Estamos trabalhando um grande programa de bolsa de estudos para os professores que tiverem os melhores resultados, para que eles visitem e façam estágios nas melhores escolas do Brasil e até do exterior. É uma maneira de motivá-los."

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