MEC fecha acordo com apenas 1 de 4 sindicatos

Maioria das universidades federais deve continuar paralisação, que já dura 80 dias

CLARISSA TOMÉ / RIO, OCIMARA BALMANT , PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2012 | 03h08

O governo federal concluiu na noite de ontem a negociação do fim da greve dos professores com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) e vai mandar o projeto de lei com mudanças na carreira para o Congresso.

A decisão desagrada a maioria das instituições paralisadas, uma vez que a Proifes representa apenas 6 das 59 universidades federais. Na reunião de quarta-feira, outros três sindicatos - Andes, Sinasefe e Fasubra - foram contrários à proposta do governo. Apenas a Proifes acatou.

O maior sindicado da categoria, o Andes, que representa 51 universidades federais, diz que a greve deve continuar.

A professora Clarisse Gurgel, da Unirio, acusa a Proifes de "pelega". "Eles foram os últimos a embarcar na greve, porque viram que não tinha volta, e agora dão esse golpe", disse. "Essa entidade ficcional assinou um acordo que prejudica os professores, tira seus direitos."

Clarisse destaca a baixa representatividade da Proifes e afirma que, até entre as seis instituições associadas, não há consenso sobre o fim da greve - como na Universidade Federal de Goiás.

De acordo com a proposta que será encaminhada ao Congresso, os salários terão reajuste que variam de 25% a 40% em três parcelas - março de 2013, março de 2014 e março de 2015.

Além disso, serão constituídos grupos de trabalho para tratar de questões pendentes, entre elas as relativas ao acompanhamento do plano de expansão das universidades e institutos federais do País.

Perdas. A greve dos professores das universidades federais já fez com que alunos perdessem o semestre. Instituições como a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio) suspenderam os seus calendários acadêmicos por causa dos quase três meses de paralisação.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ainda não aprovou a medida - seu conselho está esperando o fim da greve para definir o calendário.

A suspensão do calendário acadêmico garante a reposição das aulas, mas prejudica aqueles que estão no período de conclusão do curso. Na UFF, as inscrições em disciplinas por estudantes aprovados no vestibular para o segundo semestre estão suspensas, sem prazo para ocorrer.

Entre os alunos, o comentário é de que as matrículas só ocorrerão em janeiro de 2013. A assessoria da instituição não confirma.

O estudante de economia da UFRJ Paulo Henrique de Almeida Moreira, de 22 anos, foi contratado por uma empresa do mercado financeiro no regime de seis horas de trabalho diária. Ele pode ser promovido quando chegar ao último período da faculdade. Com a paralisação, o aumento salarial não veio.

"Todos os professores correram com as matérias antes do início da greve, menos dois. Um voltou a dar aulas. Estou preso por apenas uma matéria", comentou. "Tenho amigos que estudaram o ano inteiro para a prova da Anpec (seleção unificada para pós-graduação em economia), mas não sabem o que fazer porque, se passarem, não vão poder fazer o mestrado sem terminar a graduação", contou Moreira.

Professores de algumas carreiras têm "adiantado" as provas dos alunos que estão terminando o curso. "Na Rural e da UFF, os docentes estão antecipando as provas de quem está preso só por uma matéria. Mas é preciso pensar na qualidade do profissional que está saindo dessa universidade: ele não aprendeu em laboratórios, não teve computadores para a pesquisa, não teve livros de apoio nas bibliotecas. É contra esse ensino precário que a gente está lutando", disse uma professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

A assessoria da Rural não foi localizada para comentar o calendário acadêmico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.