MEC muda forma de divulgar resultado

Para especialistas, alterações estão na direção correta, mas afetam comparação

OCIMARA BALMANT , LISANDRA PARAGUASSU, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h21

Pelo segundo ano consecutivo, o MEC altera a forma de divulgação do resultado do Enem. Neste ano, só aparecem na lista as escolas em que mais da metade dos alunos do terceiro ano fizeram o exame, e a média geral considera apenas as provas objetivas, sem levar em conta a redação. No ano passado, a composição da média incluía a redação e todas as escolas tinham a nota divulgada, com o respectivo porcentual de participação.

São mudanças no formato de divulgação que impedem algumas comparações da performance do resultado de 2011 com os anos anteriores e cuja pertinência divide especialistas e escolas. Para a consultora Ilona Becskehásy, a decisão do governo de não divulgar as notas de escolas com menos da metade de participação contraria o princípio da transparência. "Tem de divulgar e deixar a sociedade ponderar se poucos alunos podem representar toda uma escola", diz.

Sem a divulgação massiva, acrescenta, os microdados ficam restritos aos pesquisadores e não chegam à sociedade interessada. "Se sou pai, quero saber tudo o que puder sobre o colégio do meu filho."

O pesquisador Chico Soares, especialista em avaliação e consultor do Inep, afirma que o sistema ainda não está estável e que a forma de divulgação ainda é um processo em construção. Mas, segundo ele, que participou do processo de mudança, as regras implementadas neste ano foram salutares. "Quanto à redação, ela tinha peso maior do que as outras matérias e isso não representava bem o rendimento", diz.

Em relação ao porcentual de participação, o pesquisador é ainda mais enfático. "O Enem mostra quem é a escola. Se alguém decide deixar os 50% piores de fora, vai ter um retrato que não corresponde à realidade."

Soares atenua o fato de as alterações atrapalharem a comparação do rendimento dessas escolas excluídas com os anos anteriores. "Se ela fica fora, os pais vão perguntar e no ano que vem ela volta. É um processo em aprimoramento", explica.

No Colégio Bandeirantes, em São Paulo, apesar de a maioria dos alunos ter como meta os exames da USP, Unicamp e FGV, que não consideram o Enem, a direção incentivou a participação. "Tentamos mostrar a eles que é um exame nacional que avalia o currículo. Não podem ser tão imediatistas e só pensarem no vestibular", diz Mauro.

A escola teve 72% de participação e uma das notas mais altas em redação de toda a cidade. Apesar disso, Mauro acredita que excluir a redação na média é uma boa alteração. "Todos os especialistas que conheço dizem que é muito difícil avaliar uma quantidade tão grande de textos."

Segundo o MEC, o critério de correção das redações é subjetivo e não pode ser comparado com as provas objetivas, baseadas na Teoria de Resposta ao Item (TRI), um modelo que permite a comparação das provas de um ano com o outro. "A correção da redação é muito subjetiva. Nós tentamos fazer algo o mais objetivo possível", afirmou o ministro Aloizio Mercadante.

"Claro que a instituição pode fazer, se quiser, a média incluindo a redação. Mas achamos tecnicamente mais correto fazer a média pelas quatro provas objetivas porque o critério de correção é o mesmo", explicou Luiz Cláudio Costa, presidente o Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep).

Sem a redação, o resultado foi pior do que o do ano anterior. Em 2011, a média ficou em 494,8, enquanto em 2010 era de 511,21 pontos. De acordo com Mercadante, a retirada da redação piorou a média.

Quando se analisa pelas redes, no entanto, observa-se que a piora ocorre nas escolas públicas, onde a redação costuma baixar a nota dos estudantes. Já nas escolas da rede privada, a redação aumenta o resultado. A retirada da redação das médias gerais pode, portanto, ter influenciado na diferença entre as médias das duas redes.

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