MEC pretende mudar cálculo do Ideb do ensino médio

Após os números do ensino médio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2011 (Ideb) apontarem para uma estagnação na qualidade da rede pública, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou que o governo pretende mudar a fórmula de cálculo para essa etapa. A ideia é já trabalhar com uma nova equação no Ideb 2013.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

21 de agosto de 2012 | 20h02

O Ideb combina o resultado do desempenho dos estudantes em avaliações (Prova Brasil/ Saeb) com a taxa de aprovação. No caso do ensino médio, o MEC quer substituir a Prova Brasil/Saeb - aplicada para uma amostra de estudantes no ensino médio - pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O governo nega que pretenda maquiar os números com a troca.

A evolução do Ideb do ensino médio foi tímida - o índice saltou de 3,6 (Ideb 2009) para 3,7 (2011). Considerando apenas a rede estadual, o indicador nacional manteve-se estagnado em 3,4, sendo que no Distrito Federal e em nove Estados houve queda.

"Quando falamos de uma amostra de 69 mil estudantes que fazem uma prova que não é decisiva na formação deles e a gente usa só esse indicador para avaliar a qualidade, colocamos a seguinte questão: vamos olhar o Enem, que o Enem é quase censitário. O Enem é determinante na vida do aluno. Uma coisa é fazer exercício da faculdade, outra coisa é disputar um exame", disse Mercadante, em coletiva a jornalistas.

A Prova Brasil/Saeb e o Enem são avaliações distintas, com itens e escalas próprios. Comparando a evolução do desempenho em matemática e português na Prova Brasil/Saeb, o desempenho dos estudantes ficou praticamente estável entre 2009 e 2011.

Já a nota dos alunos concluintes do ensino médio - de escolas públicas - saltou de 480,2 para 492,9 em matemática, do Enem 2010 para 2011 - a Teoria de Resposta ao Item (TRI) calibrou o grau de dificuldade dos dois últimos exames, permitindo a comparação. Em português, o desempenho foi de 490,6 para 503,7. "O Enem mostra que houve uma evolução muito positiva no aprendizado da matemática e do português", destacou Mercadante.

Para o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, o governo não está criando "uma saída para mascarar os números". "Temos desafios no ensino médio e pretendemos achar uma medida mais exata para enfrentá-los. A nota do Enem mostra uma outra tendência, mas não minimiza os problemas que temos. O sinal amarelo foi dado, qual caminho devemos seguir?"

Dentro de 60 dias, o Inep deverá entregar ao ministro um estudo técnico sobre a mudança de cálculo do Ideb e suas implicações. Uma das preocupações é não perder a série histórica projetada para os próximos anos - a meta do Ideb para 2021 é 5,2.

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