MEC reconhece erro em eliminação de candidata

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reconheceu nesta quinta-feira (8) que a estudante Jacqueline Chen foi desclassificada por engano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. A aluna fez a prova na cidade de São Paulo e foi confundida com uma candidata homônima, de Mogi das Cruzes (SP), que divulgou uma imagem do exame em redes sociais durante a realização da prova, no sábado (3).

CRISTIANE NASCIMENTO E MATEUS COUTINHO, Agência Estado

08 de novembro de 2012 | 18h38

O caso foi revelado pelo jornal Estadão nesta quinta. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), Mercadante ligou na manhã desta quinta para a mãe da aluna de São Paulo, se desculpou pelo engano e assegurou que a jovem poderá fazer a prova em dezembro, quando o Enem 2012 será aplicado em unidades prisionais e socioeducativas. Depois de constatado o mal entendido, o MEC desclassificou a candidata de Mogi.

Ao todo, foram eliminados 65 alunos que postaram imagens digitais nos dois dias de realização da prova. No primeiro dia de prova, 37 candidatos foram eliminados. No segundo, mais 28 candidatos postaram imagens e também foram excluídos do Enem. Os casos foram registrados em vários Estados do País.

No domingo, Jacqueline Chen, aluna do colégio Dante Alighieri, de São Paulo, foi abordada por um fiscal e obrigada a assinar um termo de eliminação do Enem por ter publicado imagem da prova no Instagram. Ela se recusou a assinar e disse que seu celular não tinha acesso à internet e estava guardado e lacrado no envelope entregue pelos aplicadores da prova.

Jacqueline pediu provas de que ela era a autora da publicação, mas os fiscais disseram que não a tinham e que a ordem viera de Brasília. O rapaz que retirou a candidata da sala pediu que ela assinasse um termo no qual assumia ter infringido as regras do exame. Jacqueline pediu para ligar para a sua mãe, mas foi informada de que só poderia fazer isso depois que assinasse o documento. Ela assim o fez.

Depois de ter avisado sua mãe, Jacqueline ligou para algumas amigas e pediu que vasculhassem suas redes sociais à procura de fotos do Enem. "Já estava achando que minhas contas poderiam ter sido invadidas por hackers", diz. Em meio às buscas, as amigas encontraram uma imagem do gabarito de uma prova, ao lado de uma carteira de identidade, publicada pelo perfil da homônima de Mogi.

Ao chegar ao local da prova para buscar a filha, a mãe de Jacqueline questionou os organizadores quanto às provas da infração e disse que não poderiam ter obrigado a filha, menor de idade, a assinar um documento sem a sua presença. Ela não pôde obter uma segunda via do termo de eliminação. Uma senhora, que se apresentou como coordenadora estadual do Enem, disse que recebera ordens de Brasília e que, se fosse o caso, que recorressem para provar a inocência da menina. A estudante, que pretende cursar Arquitetura, usaria a nota do Enem para entrar na Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Eu fui prejudicada, injustiçada e culpada por algo que não fiz", diz ela.

Segundo a mãe da aluna, após o incidente a filha está com dificuldades para se concentrar nos estudos - "justo agora, em meio à maratona de vestibulares". Além do Mackenzie, Jacqueline pretende prestar Fuvest, Unicamp e Unesp nos próximos três domingos. Na terça-feira (6), o Estadão recebeu um e-mail de Julia Chen, que seria irmã da Jacqueline de Mogi, dizendo que a candidata havia errado ao publicar a imagem da prova na internet e pedindo para que fosse apagado o nome dela da imagem publicada no site do jornal. Questionada, Julia não respondeu se sua irmã foi eliminada do Enem.

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