Médico preso no Líbano retorna nesta quinta ao Brasil

Mohamad Kassen Omais foi preso em 15 de fevereiro sob suspeita de 'terrorismo'

Tariq Saleh, BBC

28 Fevereiro 2008 | 09h35

O médico brasileiro Mohamad Kassen Omais, que ficou preso por sete dias no Líbano sob acusação de adulteração de seu passaporte libanês e suspeita de envolvimento com "terrorismo", retorna nesta quinta-feira, 28, ao Brasil, junto com a mulher e seus três filhos. De acordo com ele, a volta ao Brasil coloca fim a um pesadelo. "Quero agora voltar ao Brasil e retomar minha vida, reencontrar meus amigos e colegas de trabalho", disse.  O brasileiro e sua mulher, a médica Gisele do Couto Oliveira, foram ao Líbano para buscar os filhos, que estavam em férias com os avós desde dezembro do ano passado. As autoridades libanesas o prenderam no dia 15 de fevereiro no desembarque do aeroporto em Beirute e o acusaram de adulterar seu passaporte libanês. As Forças de Segurança Internas (FSI) também investigavam sua relação com "terrorismo". Na semana passada, fontes ouvidas pela BBC Brasil informaram que o primo de Omais, o também brasileiro Zuheir Omais, teria adulterado o passaporte do médico e usado o documento em viagens à Síria que, segundo policiais libaneses, estariam relacionadas com atividades "terroristas". O primo estaria, inclusive, sendo procurado pelas autoridades e residiria no Brasil. Uma fonte ligada ao Exército libanês confirmou à BBC Brasil que o passaporte adulterado de Mohamad Kassen Omais poderia estar vinculado a recentes atentados a bomba e ao conflito do ano passado no campo de refugiados palestinos de Naher el Bared, no norte do país. Má fé Omais foi solto no dia 22 de fevereiro, ao pagar uma fiança de US$ 300 (cerca de R$ 500) e sob a condição de cooperar nas investigações, fornecendo informações com detalhes de suas viagens nos últimos dez anos. Além disso, o juiz que cuidava de seu caso entendeu que Omais teria sido vítima da má fé de seu primo. A prisão do médico brasileiro envolveu inclusive o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que intercedeu no caso. Em uma reunião em Buenos Aires, Amorim conversou com o ministro da Justiça do Líbano, Charles Rizk, e pediu a soltura de Omais. Rizk prometeu que analisaria o caso e Omais foi solto posteriormente. A polícia libanesa continua com as investigações e fontes informaram que as autoridades poderiam pedir auxílio à Polícia Federal brasileira para ajudar nas investigações sobre o caso.  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.