Médicos condenados podem continuar trabalhando

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Junior, afirmou ontem que os três médicos condenados a 17 anos e 6 meses por homicídio no caso Kalume poderão continuar exercendo a medicina.

JOÃO CARLOS DE FARIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, TAUBATÉ, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2011 | 03h01

"São critérios e instâncias diferentes: uma é penal e a outra, ético-profissional. Em 1993, eles foram inocentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e, portanto, estão aptos ao exercício da profissão", disse Azevedo.

Os médicos Pedro Henrique Torrecillas, Rui Noronha Sacramento e Mariano Fiore Júnior foram julgados anteontem, em Taubaté (SP), culpados da acusação de terem retirado, em 1986, rins de pacientes vivos. A denúncia foi feita pelo médico Roosevelt Sá Kalume - por isso o caso ficou conhecido como Kalume.

Azevedo negou haver corporativismo e citou o fato de 23 diplomas médicos terem sido cassados no ano passado por infrações graves. "Que outra categoria pune seus pares nessa proporção?", indagou.

Em 1988, após serem denunciados por Kalume ao Cremesp, os três médicos foram julgados, considerados culpados e punidos com uma censura pública (crítica à conduta da ética profissional). Apelaram, porém, para o CFM, que os absolveu, revogando a decisão do Cremesp. "Os acusados foram considerados inocentes", afirmou Azevedo.

Recurso. O advogado João Romeu Corrêa Goffi, um dos responsáveis pela defesa dos médicos, disse que na próxima segunda-feira deverá dar entrada no Fórum Criminal de Taubaté para pedir a anulação do júri.

Entre os motivos alegados estão o fato de não ter sido atendido o pedido da defesa para a realização de acareação entre a enfermeira Rita Pereira e o médico Fernando Ferreira.

De acordo com a enfermeira, Ferreira teria presenciado a morte do paciente José Faria Carneiro, em 22 de dezembro de 1987, com um golpe de bisturi desferido pelo médico Pedro Henrique Torrecillas.

Preocupação. Vânia Cristina de Lima, irmã de um dois pacientes mortos, disse que a família ficou contente com a condenação, mas agora se preocupa com os recursos que virão na tentativa de anular a decisão.

Segundo Vânia, a família não pensa em pedir indenização. "Vamos esperar. Por enquanto, a maior recompensa foi a condenação deles", afirmou. Os familiares das demais vítimas não foram localizados.

Nas ruas de Taubaté, o caso dividiu a população e provocou debate. "Foi um alívio depois de tanto tempo. A Justiça foi feita", comemorou a enfermeira Lúcia Regina, que, na época em que os rins foram retirados dos pacientes, tinha 5 anos. "Não acredito. Eles sempre foram bons profissionais", discordou a balconista Eliane Santos, de 35 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.